7 grandes mães que habitam minha estante

O texto a seguir pode conter spoilers de: Harry Potter, Game of Thrones, Um Perfeito Cavalheiro, Norte e Sul, Marley & Eu. Depois não diga que eu não te avisei…

Chegou o dia das mães! E nada melhor para comemorar essa data do que relembrar algumas das mais memoráveis figuras maternas que habitam minha estante.

Sra Bennett e filhas Fonte: fanpop.com - Reprodução

Sra Bennet e filhas Fonte: fanpop.com – Reprodução

O critério aqui é a ligação entre mãe e filho, o quanto a maternidade é importante como faceta na criação do personagem.  Ou seja, não estarei considerando se a pessoa em questão é boazinha ou não, se criou bem os filhos ou não. Quero apenas separar personagens cujo papel de mãe seja crucial para o desenvolvimento da história.

No processo de escolha das top 7, precisei deixar muita gente de fora. Queria registrar aqui uma menção honrosa à Sra. Bennet, de Orgulho e Preconceito, e à Sra. Coulter, da Trilogia Fronteiras do Universo, que infelizmente não puderam estar presentes nesta lista.

1 – Molly Weasley

Essa mulher criou sete filhos sem perder a sanidade e ainda deu um jeito de adotar Harry e Hermione no processo. Acho que ela sabe uma ou duas coisinhas sobre ser mãe.

Fonte: da.harrypotter.wikia.com - Reprodução

Fonte: da.harrypotter.wikia.com – Reprodução

O mais engraçado é que Molly, além de uma mãe maravilhosa, também é utilizada por Rowling para quebrar alguns padrões sociais. A Sra. Weasley personifica aquele tipo de mãezona que vemos em comercial de margarina: sempre colocando todos sob seus cuidados, cuidando da casa, sendo severa quanto às notas e a disciplina.

Porém, Rowling nos mostra que Molly não se limita ao papel de mãe. Ela não fica em casa por ser menos capaz que o marido, ou porque considera esta sua obrigação social. Ela OPTOU por priorizar a criação dos filhos, e essa escolha jamais a torna menos empoderada do que as outras bruxas. De fato, é bonito ver como há um respeito mútuo entre ela e McGonagall, alguém que seguiu um caminho completamente oposto.

Molly integrou a Ordem da Fênix original, lutando contra os Comensais. E por mais doce que seja aquele coração materno, a Sra. Weasley demonstrou ser uma guerreira formidável, dando cabo de Belatrix Lestrange numa das cenas mais memoráveis de Hogwarts. Ainda por cima, ela é uma personagem cheia de falhas (quem não lembra daquele “puxa-saquismo” com o Percy?), que desmistifica muito do estereótipo da mãe perfeita.

Nas palavras da própria Rowling:

No começo da série, lembro de uma jornalista me dizer que a Sra. Weasley era ‘Bem, só uma mãe’. E eu fiquei absolutamente inflamada com esse comentário. Agora, eu me considero uma feminista, e sempre quis mostrar que só porque uma mulher fez uma escolha, uma escolha livre, diga-se de passagem, e disse ‘Bem, vou criar minha família e essa será a minha escolha. Talvez eu ainda tenha uma carreira em tempo integral, ou em meio período, mas essa é a minha escolha’, não significa que é só isso que ela pode fazer.”

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

(Para saber mais, leiam essa matéria do Nó de Oito sobre personagens femininas em Harry Potter)

2 – Violet Bridgerton

A matriarca dos Bridgerton, a grande família da série de romances de Julia Quinn, só possui um desejo na vida: casar cada um dos oito pestinhas que trouxe ao mundo. Entre Anthony, Benedict, Colin, Daphne, Eloise, Francesca, Gregory e Hyacinth, a pobre Violet ainda perderá seu juízo.

Porém, é admirável o modo como Lady Bridgerton educou seus rebentos. Mesmo sendo tantos, nunca houve queixa por falta de amor ou atenção, e Violet foi capaz de extrair o melhor de cada um deles, cujas personalidades não poderiam ser mais variadas. Todos os Bridgerton são moças e rapazes íntegros, honrados e que realmente acreditam na felicidade em família.

Culpa, claro, do casamento de seus pais. Numa época de matrimônios arranjados, dotes e posições sociais, Lady Bridgerton conseguiu casar-se com o homem por quem era profundamente apaixonada. Essa relação serviu como exemplo para que cada filho enxergasse o casamento como um contrato de respeito, cumplicidade e amor.

Os oito karmas de Violet. Fonte: Goodreads - Reprodução

Os oito karmas de Violet. Fonte: Goodreads – Reprodução

E embora seja essa mãezona e uma avó de primeira (com espaço até para “apadrinhar” mocinhas como Penelope Featherington), Violet também sabe como se impôr de vez em quando. Sabe como ser rígida com os filhos, e melhor ainda, sabe como manipular cada uma de suas personalidades, fazendo-os sempre compreender suas motivações. Se estivermos falando sobre a felicidade de seus rebentos então, é melhor nem pensar em cruzar o caminho dela. Lady Bridgerton é capaz de tudo, até ignorar completamente costumes e regras de etiqueta da alta sociedade para colocar um sorriso na cara da prole.

Julia Quinn consegue torná-la uma mulher bem razoável. Violet sempre tenta manter as crias no “roteiro normal” da época, mas também sabe ouvir e fazer concessões quando necessário. Se ela notar que um filho seu só poderia ser feliz de verdade no circo, ela não só daria a bênção como sentaria todos os dias na primeira fila no picadeiro.

“- Essa decisão só cabe a você – continuou Violet, trazendo o filho de volta à realidade. – E lamento dizer que não será uma decisão fácil.
Ele olhou pela janela, concordando com o silêncio.
– Mas – acrescentou ela -, caso decida ficar com alguém que não pertença à nossa classe, eu prometo apoiá-lo de todas as maneiras possíveis.
Benedict olhou para ela. Poucas mulheres da sociedade diriam o mesmo aos filhos.”

3 – Jenny Grogan

Além de mãe do Marley, o famoso labrador de Marley & Eu, Jenny também é mãe de três humanos: Patrick, Conor e Colleen.

Fonte: hookedonhouses.net - Reprodução

Fonte: hookedonhouses.net – Reprodução

O grande diferencial de Jenny para o restante desta lista é que ela, ao contrário de todas as outras, é uma pessoa de carne e osso. Através da narrativa de seu marido, Jenny nos apresenta ao mundo das mães sem máscaras, sem cortinas poéticas. Ao mesmo tempo em que demonstra um amor incomensurável pelos filhos, Jenny também nos mostra o quanto a rotina de mãe pode ser estressante, o quanto a dinâmica do casamento é alterada e de quantas coisas o casal teve de abdicar em prol da felicidade de seus pequenos (tudo isso enquanto tentavam manter um labrador incorrigível sob controle, mas aí é outra questão).

Jenny perdeu um bebê, teve filho planejado, teve filho não planejado, chorou de desespero e chorou muito de felicidade. Sempre digo que os Grogan são uma espécie de “bálsamo de fé na humanidade”, um exemplo de que é possível sim ter uma vida bacana e digna de nota mesmo sendo o “simples cidadão comum”. A vida, mesmo a que não está em Hollywood, é interessantíssima. E assim também é a maternidade, cheia de altos e baixos. Com todas as dificuldades e confusões, Jenny tornou-se uma ótima mãe.

“- Meu bem, pelo amor de Deus! – eu disse. – Seja razoável, são oito horas da noite de domingo. Onde é que eu vou achar meias de bebê?
– Precisamos das meias – ela repetiu.
– Temos várias semanas pela frente para comprar meias – tentei contornar. – Vários meses pela frente para comprar as meias.
– Veja esses dedinhos pequenininhos – ela choramingou.”

4 – Hannah Thornton

Essa mulher merecia um prêmio só por ter criado um Mr. Thornton para o mundo. Sim, porque grande parte do mérito é dela.

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

A matrona de Norte e Sul ficou viúva, sem um centavo no bolso, e conseguiu erguer um verdadeiro império apostando alto na capacidade de seu primogênito, John. E o que mais gosto nela é sua capacidade de fazer algo que muitas mães não conseguem: enxergar que seu filho cresceu.

Hannah sabe quando se afastar e ocupar os bastidores, para que seu filho comande a fábrica. Ela dá os melhores conselhos, mas sabe respeitar e confiar nas decisões de John sobre a própria vida. Ela desaprova seu interesse amoroso por Margaret, mas não tenta interferir. Essa posição de braço direito do filho, dando-lhe liberdade e responsabilidades, serviu como uma base sólida para a criação da autoconfiança e pulso firme de John. As circunstâncias da vida e de sua criação o tornaram adulto muito cedo.

Além disso, como eu já havia mencionado aqui no blog, Hannah faz, em Norte e Sul, o mesmo papel de Lady Catherine em Orgulho e Preconceito: a pessoa que desaprovará nossa mocinha. Porém, enquanto Lady Catherine apenas enxerga a falta de berço e posses, Hannah desaprova a visão oblíqua de Margaret em relação ao Norte e, principalmente, o quanto a jovem fez seu amado filho sofrer. Hannah Thornton é tão coerente e gente fina que, apesar de amarmos Margaret, é fácil entender seu posicionamento. Talvez, no papel de mãe, todos nós teríamos a mesma opinião.

Fonte: beverlyfarr.com - Reprodução

Fonte: beverlyfarr.com – Reprodução

E como já foi mencionado no caso de Molly Weasley, a Sra Thornton é um personagem completo: também carrega sua gama de defeitos. O principal deles, inclusive, é voltado para o tratamento de sua segunda filha, Fanny. Hannah possui uma superproteção em relação à caçula, mimando-a por não acreditar que Fanny possua a mesma fibra de John.

“Um estranho, um observador desatento, poderia achar que a atitude da sra. Thornton para com seus filhos indicava muito mais amor por Fanny do que por John. Mas essa pessoa estaria completamente enganada. A própria ousadia com que a mãe e o filho falavam verdades desagradáveis um para o outro mostrava uma confiança centralizada na alma de cada um deles, enquanto a ternura desajeitada da sra. Thornton para com sua filha denotava a vergonha com a qual ela pensava esconder a incapacidade da filha de todas as grandes qualidades que ela mesma possuía inconscientemente – e que eram classificadas como de grande valor nos outros.”

5 – Cersei Lannister

Ninguém aqui falou que mães precisam ser boazinhas ou mentalmente estáveis, não é mesmo?

O fato é que, em meio à toda sua loucura, Cersei realmente se preocupa e privilegia o bem-estar de seus filhos. De um modo estranho e que dificilmente seria classificado como a melhor das criações, a Rainha Mãe faz tudo o que é possível para manter sua prole segura e feliz.

Fonte: telegraph.co.uk - Reprodução

Fonte: telegraph.co.uk – Reprodução

Cersei sempre ressentiu-se de seu destino. Se tivesse nascido homem, seria a herdeira de sua casa, e poderia não só liderar, administrar e guerrear, mas também usufruir de graus de liberdade jamais concedidos às damas da alta sociedade. Ao invés disso, Cersei foi forçada a um casamento indesejado, fruto de eternas mágoas. Parte dessa privação foi então direcionada a seus filhos, e por isso Cersei não mede nenhum esforço para que suas crianças tenham qualquer coisa que desejem. Ela transfere sua realização pessoal para a geração seguinte.

Também desenvolveu um forte senso de propriedade, sendo ciumenta e dominadora. Digamos que, de todos os Lannisters, Cersei é a que melhor incorpora o leão de seu estandarte. Seu clã e sua cria sempre, doa a quem doer.

Como se não bastasse, ainda temos a profecia de Maggy, a Rã, a condenando a perder cada um de seus filhos.  Se Cersei já era zelosa por natureza, agora sua proteção torna-se quase um fanatismo, um ato de desespero. Uma mãe que tenta desesperadamente mudar o destino e salvar seus rebentos. Nesse ponto, apesar de suas ações condenáveis, consigo me compadecer de Cersei. Sua tristeza ao ser separada da filha Myrcella e sua ira, ao amparar o corpo de Joffrey, me fazem ter a certeza de que ela merece um lugarzinho nesta lista…

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

Lembrando que Game of Thrones também traz uma série de outras figuras maternas, nas mais variadas formas, como Catelyn Stark, Lysa Arryn, Goiva, Olenna Tyrell e, porque não, Daenerys, a mãe dos dragões.

6 – Família Hempstock

Aqui vamos falar tanto de Ginnie Hempstock (mãe) quanto da velha Sra. Hempstock (avó), personagens de O Oceano no Fim do Caminho.

Mãe a avó de Lettie, as Hempstock simbolizam muito do que há de bom numa família. Elas são aparentemente malucas, não seguem a estrutura da “família tradicional brasileira”, tem hábitos esquisitos e nem mesmo são desse mundo. Mas possuem amor, compreensão, passagem de conhecimento e ouvidos sempre disponíveis.

Fonte: lucidflux.deviantart.com - Reprodução

Fonte: lucidflux.deviantart.com – Reprodução

Elas passam segurança a Lettie, ao mesmo tempo em que permitem que a menina corra seus próprios riscos e se responsabilize por algumas tarefas importantes. A idade é algo que não importa muito para as Hempstock. Elas estão sempre dispostas a ouvir Lettie com seriedade, a refletir sobre suas ideias e a ensiná-la, através da experiência. Lettie é uma garota que acredita tanto em si justamente porque sua família também acredita. As Hempstock são um símbolo do quanto uma base familiar sólida e acolhedora, não importa como seja formada, é importante para o desenvolvimento saudável das crianças.

7 – Iza

Iza, do livro Ayla, A Filha das Cavernas, é uma mulher pré-histórica pertencente a uma tribo neandertal. Certo dia, peregrinando em busca de uma nova caverna de habitação, Iza se depara com uma pequena menina loira, aparentemente órfã, que rapidamente conquista seu coração.

O problema é que a menina, que mais tarde se tornará a protagonista Ayla, é uma Cro-Magnon. Por ser diferente de seus companheiros de tribo em muitos aspectos (tanto físicos como cognitivos), Ayla sofre preconceito constantemente, sendo tida como uma ameaça ao clã. Ela sofre e tende a se isolar, culpando-se por não parecer com o restante dos neandertais.

Fonte: earthschildren.wikia.com - Reprodução

Iza e Ayla. Fonte: earthschildren.wikia.com – Reprodução

Cabe a Iza defendê-la, assim como ensinar à menina como lidar com as críticas e com seus agressores. Iza e Creb, seu irmão curandeiro, educam Ayla, transformando-a numa mulher inteligente e autônoma. Iza divide seus conhecimentos sobre ervas medicinais, sobre o manejo do parto, sobre a preparação da comida e a busca pela caça. Também faz o possível para que Ayla sinta-se parte da família, tentando acalmar o espírito da garota que vez ou outra tende à rebeldia (a sociedade neandertal é fortemente patriarcal, gerando situações muitas vezes inaceitáveis para Ayla).

A capacidade de Iza em amar incondicionalmente uma criança diferente do usual, de adotá-la como filha e de lutar para que todos aprendam a respeitar essas diferenças, torna a neandertal merecedora de figurar nesta lista. Num mundo marcado por preconceitos, Iza foi somente amor.

“Creb ficou em silêncio, pensativo. Depois, disse:
– Ser aceita no clã não vai mudar a natureza dela, Iza. Ayla nasceu de uma mulher dos Outros, como vai poder aprender tudo o que você sabe? Não se esqueça de que ela não tem as memórias de nossa raça.
– Mas Ayla aprende depressa. Você mesmo viu isto. Veja como aprendeu rápido a falar. Ficaria surpreso se soubesse de tudo o que ela já aprendeu. Já não estamos mais jovens, Creb. O que vai acontecer com ela depois que nós dois passarmos para o mundo dos espíritos?”

Feliz Dia das Mães!

Fonte: Tumblr - Reprodução

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