7 tropes de vilão para aprender (ou evitar)

Sabe quando você está lendo um livro ou assistindo um filme e de repente se dá conta de que já conhece aquela estrutura narrativa de algum lugar? Ou quando do nada aquele plano maligno começa a soar muito familiar, como se aquela história já tivesse acontecido? Pois é, as chances são altas de que você esteja diante de um trope.

Fonte: Disney Villains by Blackbat13, DeviantArt - Reprodução

Fonte: Disney Villains by Blackbat13, DeviantArt – Reprodução

Trope, um aportuguesamento da palavra homônima em inglês, são os “lugares-comuns” das histórias, elementos que aparecem com frequência em diversas mídias como ferramentas para movimentar o enredo, criar premissas ou até mesmo caracterizar personagens. Um trope pode ser desde um pequeno detalhe (como o “Power Walk”, quando todos os integrantes de um time, banda ou grupo de heróis qualquer caminham um ao do lado do outro, com os protagonistas no centro) até fórmulas complexas (como a clássica figura do Mentor, que ajuda o herói a alcançar seus objetivos enquanto busca a própria redenção).

É importante não confundir tropes com um clichês. Todo clichê é um trope, mas nem todo trope é um clichê. De fato, alguns tropes podem inclusive ajudar na criação de narrativas eficientes, e, cedo ou tarde, você também acabará utilizando algum deles. Mesmo que nem perceba.

A bem da verdade, o trope reflete o conceito de que “nada se cria, tudo se copia”. Pode parecer um pouco triste, mas se formos analisar a ideia de arquétipos e inconsciente coletivo, podemos encontrar lugares-comuns em praticamente qualquer tipo de narrativa, mesmo se voltarmos no tempo até textos clássicos e histórias mitológicas.

Isso significa que a originalidade é um mito e que apenas repetimos histórias que ouvimos por aí? Claro que não. A originalidade de uma narrativa depende da forma como se utilizam os lugares-comuns, de como os arranjamos e apresentamos para o leitor, e de que elementos inovadores trazemos para enriquecer a nossa construção. Até mesmo clichês, em mãos inspiradas (e eu estou falando com você Brandon Sanderson), podem trazer um frescor revigorante. Quando um autor se apropria de uma história, contando-a com uma voz pessoal e bem definida e trazendo empatia ao leitor, um trope não será nada mais que um mero artifício técnico. Além disso, novos tropes surgem a cada dia, mostrando que o campo está em constante evolução.

Você pode (e quem sabe até deva) estudar os tipos de tropes. É importante conhecê-los, saber seus limites, reconhecê-los nas histórias de outras pessoas e saber que tipo de impacto causam no público.

É possível encontrar uma vasta e detalhada documentação sobre tropes no tvtropes.org. Porém, hoje focaremos especificamente nos 10 principais lugares-comuns para eles, alguns dos personagens mais estereotipados que se tem registro: os vilões. A lista a seguir pode servir como um guia para evitar clichês ou reaproveitar ferramentas narrativas que já ajudaram obras famosas na busca por um lugarzinho ao sol. A decisão, claro, é sua.

Lembrando que trataremos de vilões no sentido típico da palavra, como um personagem que promove o mal, a destruição do protagonista ou do bem-estar comum. Antagonistas sem risada maléfica (como Draco Malfoy) serão deixados de fora.  

Fonte: Tumblr - Reprodução

“Meu pai vai ficar sabendo sobre isso!” Fonte: Tumblr – Reprodução

1 – A Infância Ruim

Pais abusivos, negligentes, lares destroçados. Uma combinação poderosa de traumas infantis capaz de lapidar muitos vilões. Este trope segue a ideia de que ninguém nasce inerentemente ruim, mas torna-se uma consequência de fatos vividos no passado.

Além disso, é muito comum encontrarmos uma comparação entre a infância traumática do vilão e a do próprio protagonista, que geralmente passou por situações semelhantes. O leitor é levado a questionar os rumos dos personagens, numa reflexão sobre como nossas decisões e caráter influenciam o futuro. Esse trope pode ser encontrado, por exemplo, em Harry Potter. Tanto Harry quanto Voldemort foram meninos órfãos, que tiveram um contato negativo com o mundo dos trouxas. As semelhanças entre ambos são ressaltadas em diversos pontos do livro. O destaque fica para a forma com que mocinho e vilão lidam com suas feridas emocionais. Enquanto Voldemort busca uma eterna vingança e expurgação, Harry segue o caminho da amizade e tolerância.

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“Eu acho que Tom foi uma boa pessoa que se sentiu incompreendido e solitário, o que fez dele a pessoa que acabou se tornando” Fonte: Tumblr – Reprodução

2 – Humor e Elegância

Vamos ser sinceros: poucos mocinhos conseguem ser tão estilosos e utilizar tão bem o sarcasmo quanto seus arqui-inimigos. Não é a toa que a Cruella de Vil é estilista…

É bem raro encontrar um vilão que esteja mal vestido. Até no período medieval, os vilões são conhecidos por usar impressionantes armaduras e espadas de dar inveja a muito joalheiro. Eles também costumam ser impecáveis nas regras de etiqueta e de boa mesa. Exemplos disso são o Presidente Snow em Jogos Vorazes, Sauron (quando possuía um corpo, né…) e Kilgrave do seriado Jessica Jones.

O humor refinado, sombrio e sarcástico também é uma marca registrada, ajudando a reforçar ainda mais essa imagem de superioridade. Vilões como Scar e Hades, nas animações da Disney, roubam facilmente a cena com suas presenças de espírito afiadas.  

Como não amar? Fonte: Buzzfeed - Reprodução

Como não amar? Fonte: Buzzfeed – Reprodução

3 – O Bichinho de Estimação

Da serpente sanguinária Nagini até o misterioso Persian de Giovanni, líder da Equipe Rocket, possuir um animal por perto é uma das características mais comuns dos supervilões.

Fonte: Giphy – Reprodução

A figura e o simbolismo dos animais é um conceito muito aprofundado em nossa cultura. Por isso, ter um animal ao lado ajuda a criar uma aura de ameaça constante, de mistério. Mas claro que não serve qualquer bichinho: difícil se sentir ameaçado por um ser das trevas rodeado de coalas ou de uma ninhada de labradores. Geralmente, vilões personificam animais que consideramos predadores, venenosos ou habilidosos, como gatos, serpentes, águias, aranhas ou tubarões.

E quando falo em personificar, não é nenhum exagero. Nesse trope, o vilão identifica-se com o animal, que se torna uma extensão emocional de seu mestre. Muitas vezes suas características maléficas assemelham-se às particularidades de seu bichinho. Quem não lembra de Michelle Pfeiffer sensualizando no papel da Mulher-Gato, rodeada por seus amados felinos?

4 – O Extremista Bem Intencionado

Como já dizia Tom Hiddleston, “todo vilão é um herói em sua própria mente“. O trope diz respeito aos vilões que acreditam piamente estar servindo a um propósito maior, com ótimas intenções. Este tipo de vilão geralmente tem os mesmos objetivos que os mocinhos, porém seus métodos são tão extremos e contraditórios que acabam levando-o por um caminho obscuro.

Na primeira temporada de Under the Dome, o personagem de Big Jim tinha a mesma boa intenção que qualquer morador de Chester’s Mill: salvar a cidade. Porém, embriagado por um forte narcisismo, que o fazia enxergar-se como rei e juiz, Big Jim torna-se um ditador, assumindo a carga vilanesca do seriado.

Fonte: Tumblr - Reprodução

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5 – Parentesco

Luke, I’m your father.

A ideia de unir vilão e herói com graus de parentesco não é nada nova. Ela costuma aparecer nas histórias de duas formas: ou como um plot twist que virará o mundo do mocinho ou mocinha de pernas pro ar ou como uma informação já conhecida do público, que servirá como um fardo para o protagonista durante sua jornada.

Fonte: Tumblr - Reprodução

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Como exemplo do primeiro uso temos o icônico par Luke e Anakin, de Star Wars. No segundo caso, podemos citar o personagem Murtagh, de Eragon, cuja filiação lhe rende inúmeros preconceitos por parte dos outros guerreiros. Murtagh precisa provar para si mesmo e para seu time que seu sangue não é determinante para sua personalidade, que é possível passar por cima da própria linhagem.

Lembrando que nem sempre esta conexão entre mocinho e vilão precisa ser necessariamente de sangue. Voltando a Harry Potter, a conexão entre o menino e Voldemort é criada por meio de mágica, mas perdura por toda a série. Essa ligação é motivo para vários incômodos por parte de Harry, que vê nela uma influência, como se o garoto estivesse predestinado a seguir os passos de seu “criador”. Então, além de suas infâncias serem parecidas, como discutimos no item 1, Harry ainda acredita haver uma conexão psicológica entre os dois, o que deixa os dilemas do personagem mais profundos.

6 – Virando um Monstro

Seguindo a mesma linha de que ninguém nasce completamente mau, esse trope lida com vilões que foram criados propositalmente por alguém.

Lavagem cerebral, possessão, experimentos científicos, tortura, jogos psicológicos e outros artefatos perturbadores: tudo pode ser utilizado para levar um ser humano à beira do abismo. Quantos e quantos zumbis não vimos nascer a partir de personagens bonzinhos, não é mesmo? Também dá pra lembrar de Jean Grey em X-Men e da bizarríssima primeira versão de Deadpool que vimos nas telonas, fazendo ponta no filme solo do Wolverine.

Fonte: mutant101.net - Reprodução

Fonte: mutant101.net – Reprodução

7 – Decadência do Vilão

Sabe quando um serial killer é realmente aterrorizante mas já apareceu tanto e já teve sua imagem tão desgastada que hoje ele funciona mais como um ícone da cultura pop adorado nas festas à fantasia do que como vilão? Ou então quando o autor começa a desconstruir essa fachada vilanesca do personagem? Pois é, este é o trope da decadência do vilão.

Vilões como Jason, Freddie Krueger e Predador parecem mais velhos conhecidos do que ameaças, e Darth Vader é um personagem mais querido do que os irmãos Luke e Leia. Ou vai dizer que alguém aqui ainda sente medo da máscara de Pânico?

Fonte: gurl.com - Reprodução

Fonte: gurl.com – Reprodução

Por outro lado, vilões como o Conde Olaf de Desventuras em Série e Cersei de Game of Thrones vão sendo pouco a pouco suplantados por personagens mais perturbadores, tendo altos e baixos que nos permitem olhá-los com mais indiferença. É o caso também de Hannibal, o serial killer canibal interpretado por Hopkins. Outros, como Lucius Malfoy, são diminuídos e ridicularizados. Ao longo da saga Harry Potter, Lucius passa de um perigoso manipulador para a desesperada marionete vira-casaca de Voldemort.

Você pode encontrar diversos outros tropes sobre vilões clicando aqui.

E agora que chegamos ao final da lista, acho que é de bom tom terminarmos com uma risada maléfica:

MUAHUAHUA Fonte: Giphy - Reprodução

MUAHUAHUA Fonte: Giphy – Reprodução

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