A questão dos gêneros e o Skoob

O Skoob é a maior rede social brasileira para leitores, onde é possível catalogar os livros lidos, participar de grupos de discussão e concorrer a cortesias disponibilizadas por editoras. E dentre inúmeras outras funcionalidades, é possível também obter alguns dados estatísticos sobre as obras. Como por exemplo, qual a porcentagem de homens e mulheres que leram determinado livro.

Vamos começar por um livro bem famoso e que seja considerado “unissex”.

Skoob - Reprodução

Skoob – Reprodução

A porcentagem feminina de leitores é mais que o dobro da masculina. E as avaliações indicam que o livro é bem recebido pelo público. Essa proporção tende a se repetir em vários outros sucessos de vendas.

Skoob - Reprodução

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Então as mulheres andam lendo mais que os homens?

Segundo pesquisas, andam mesmo. Em 2012, o Instituto Pró-Livro classificou como leitores 43% dos entrevistados homens e 57% das mulheres.

Porém, mais interessante do que analisar quem lê mais é observar o que as pessoas andam lendo. Vivemos um período de intensa luta para que não existam mais estereótipos entre “coisas de menino” e “coisas de menina”. De certo modo, avanços estão sendo conquistados, pouco a pouco, em diversas áreas.

“Ah, mas garotas só gostam de romance.” Ledo engano. Embora sejam realmente o grande público das histórias água com açúcar, as mulheres estão longe de parar por aí.

Só homens gostam de aventuras épicas com lutas de espadas, dragões e muito sangue?

Skoob - Reprodução

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Mulheres não se interessam por ficção científica?

Skoob - Reprodução

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Noto um crescente interesse das leitoras em desbravar novos gêneros, em se apropriar de títulos que antes eram considerados estritamente masculinos. Não é a toa que estamos vivendo um hype de protagonistas envolvidas em tramas violentas ou eróticas.

Parece que elas estão mais inclinadas a derrubar os estereótipos e experimentar coisas novas do que o público masculino. As mulheres não estão mudando de gosto, apenas expandindo-o.

Tumblr - Reprodução

Tumblr – Reprodução

Por outro lado, as editoras SABEM que o público feminino é o que mais movimenta as vendas nas livrarias, sobretudo entre as adolescentes. Enquanto gêneros antes considerados masculinos estão se adaptando para abraçar a nova fatia de mercado das “mulheres que lêem de tudo”, livros exclusivamente voltados para mulheres não parecem estar muito preocupados em mudar para recrutar leitores homens.

Por isso, o público masculino não sente grande atração em tentar novos gêneros literários, como o romance. E olhando as capas abaixo de alguns dos livros da Meg Cabot, não fica muito difícil de entender o porquê…

Skoob - Reprodução

Capas originais – Reprodução

Essas escolhas editoriais são bem danosas, tanto por reforçarem estereótipos na cabeça das adolescentes quanto por repelir novos leitores. Os romances juvenis, para a faixa dos 14-16 anos, já afastam tanto os garotos que eles provavelmente nunca se aventurarão novamente com um livro similar. O que é uma pena, já que o romance tem as mesmas qualidades de qualquer outro gênero: você vai achar livros bons, livros medianos e livros incríveis, que você recomendará aos netos. Jane Austen, por exemplo, não deveria se restringir à prateleira da água com açúcar. É uma leitura bastante enriquecedora, para ambos os sexos. Infelizmente, o Skoob informa que apenas 11% dos leitores de Orgulho e Preconceito são homens.

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E olha que os leitores nunca estiveram tão em evidência. Recentemente um perfil no Instagram, o @hotdudesreading, começou a reunir fotos de homens lendo no metrô de NY, atraindo milhares de admiradores. É isso aí, nada de músculos ou roupas do momento. Apenas bons livros.

Por isso, queremos ver uma literatura menos estereotipada e mais inclusiva, que gere mais leitores, sejam eles homens ou mulheres. Leitores que sejam críticos e diversificados, que criem seu próprio gosto literário por escolha própria. Queremos que os livros do Skoob fiquem sempre próximos de um 50/50.

Atenção: as informações acima não podem ser consideradas conclusivas, uma vez que devemos levar em consideração o número de usuários do Skoob de cada sexo. Sem uma divisão meio a meio, os dados apresentados servem apenas para ilustrar uma possível tendência, que observo no meu dia a dia. Além disso, é preciso que tanto homens quanto mulheres possuam a mesma frequência de atualização de seus perfis na rede social.

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