#EspalheFantasia – 5 séries recomendadas pela traça

Existe um grupo bem bacana no Facebook, chamado “Livros de Fantasia e Aventura – Skoob”, que concentra não só um grande número de leitores como também de blogueiros, autores nacionais e outros criadores de conteúdo voltados para o gênero.

Numa das várias discussões que rolam por lá, surgiu a ideia de criar uma postagem colaborativa, onde os blogs coordenariam esforços para divulgar o gênero da fantasia e também para indicar, debater ou simplesmente comemorar a existência de algumas séries fantásticas.

Foi assim que surgiu o #EspalheFantasia, um projeto dedicado a destacar séries de fantasia já publicadas no Brasil, mesmo que não completamente.   

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Como o TBS já praticamente respira fantasia todo santo dia e come feijões mágicos no café da manhã, achei desnecessário explicar todo o meu fascínio por universos imaginários: você pode ler sobre isso clicando aqui ou aqui. Além disso, segui alguns critérios em minhas indicações:

Em primeiro lugar, claro, os títulos precisam ser séries. Isso já elimina um monte de livros volume-único maravilhosos, cuja leitura considero obrigatória (não conte a ninguém, mas você pode burlar o regulamento e clicar aqui, ou também aqui).

E em segundo lugar, fantasia é um gênero que praticamente todo mundo já teve contato na vida, pelo menos quando criança. Portanto, dei preferência a séries um tanto fora do lugar-comum, para que os fãs de fantasia possam descobrir coisas novas e pra que os não fãs possam testar obras com uma pegada diferente do que vemos por aí, nas tradicionais aventuras de capa e espada. Claro que é importante conhecer O Senhor dos Anéis e Harry Potter, e claro que Eragon pode ser uma boa porta de entrada para esse universo. Mas vai que você não se interessa por fantasia apenas porque ainda não havia achado uma obra que combinasse com o seu estilo?

Então, apertem os cintos. Estas foram minhas cinco escolhas:

1 – Temeraire (Naomi Novik)

A série reconta como teria sido a guerra entre Inglaterra e França (comandada por Napoleão Bonaparte) partindo da premissa básica de que dragões não só existem como também são amansados e utilizados como veículos tripulados de batalha. Sério.

Sempre digo que alguns livros valem mais que muitas aulas de História, e este definitivamente é um deles. Apesar do componente fantástico, Temeraire traz ótimos dados históricos e uma visão política bem interessante sobre a Europa da época. Navios, datas, localizações, batalhas, estratégias de cerco e comandantes também tiveram suas informações preservadas. Tenho certeza de que, após a leitura, você lembrará para o resto da vida que o almirante Nelson atravessou a esquadra franco-espanhola com duas fileiras de navios durante a Batalha de Trafalgar.

O estilo de Novik é bem clássico, quase como estar lendo um Julio Verne moderno, e ela consegue abordar muitos conflitos filosóficos entre o espírito livre do dragão Temeraire e seu capitão, Laurence, um homem comprometido com o dever e honra de sua pátria.

Se você já leu o primeiro livro da série, clica aqui pra gente bater um papo!

Fonte: davidanthonydurham.com - Reprodução

Fonte: davidanthonydurham.com – Reprodução

2 – O Protetorado da Sombrinha (Gail Carriger)

Essa é uma indicação ótima para quem curte o período vitoriano, steampunk, romances calientes e momentos de humor.

No universo de Gail Carriger, vampiros, lobisomens, fantasmas e outros seres sobrenaturais são uma realidade. E, após o Iluminismo, todos eles convivem maravilhosamente bem em sociedade. Os tempos de caçadores de recompensa e exorcistas ficaram pra trás, lembranças de um passado profundamente retrógrado. A própria rainha Vitória possui um corpo diversificado de ministros responsáveis por representar os interesses de cada raça.

Nesse cenário peculiar, somos apresentados à nossa protagonista, Alexia Tarabotti. Que seria apenas mais uma “solteirona de vinte e poucos anos” se não fosse por um detalhe: Alexia nasceu sem alma. Ela é uma preternatural, como são chamadas as raríssimas pessoas de sua condição. Isso significa que seu toque é capaz de neutralizar os poderes dos seres sobrenaturais, pelo menos enquanto durar o contato físico.

Os momentos hilários da história, contados sob a língua ferina e irônica de Carriger, servem para, como quem não quer nada, introduzir umas questões bacanas sobre tolerância, preconceito e costumes da época, além de apresentar ao leitor um mistério empolgante, daqueles que nos faz ter vontade de pegar uma lupa e sair investigando também. E não se engane: apesar do romancinho açucarado e da releitura dos mitos (onde mais a gente encontra um vampiro apaixonado pelo estilo rococó?), Carriger não faz feio e representa com toda a dignidade estas criaturas tão icônicas.

Se você já leu o primeiro livro da série, clica aqui pra gente bater um papo!

Fonte: gailcarriger.com- Reprodução

Fonte: gailcarriger.com- Reprodução

3 – Sandman (Neil Gaiman)

Eu sempre fico meio perdida quando alguém me pergunta sobre o que é Sandman.

Sandman é sobre tantas coisas que fica difícil fazer uma sinopse, mas vamos dizer, para os devidos fins, que a história acompanha as desventuras de Morpheus, um dos Perpétuos, um ser místico que não chega exatamente a ser um deus, mas que é o senhor do reino do Sonhar. Suas interações com humanos, sua família Perpétua e outras criaturas de diversas mitologias formam as rodas que movimentam o enredo.

Não é a toa que a HQ é sempre tão reverenciada. Sandman aborda arquétipos e mitos como ninguém, costurando significados e interpretações ocultas sob as mãos habilidosas de Neil Gaiman. Sandman é daquelas obras para ler e passar horas encarando o teto, digerindo a leitura. É uma história que inspira, destrói barreiras, além de uma excelente crítica social e humana. Quem já conhece alguma coisa do Gaiman, pode apostar na qualidade. E para quem curte HQs, é uma ótima pedida.

Se você já leu Sandman, que tal acompanhar a minha série de posts analisando cada arco?

Fonte: Vertigo - Reprodução

Fonte: Vertigo – Reprodução

4 – Discworld (Terry Pratchett)

Terry Pratchett virou um dos queridinhos da minha estante desde que tive meu primeiro contato com o autor, num volume escrito em parceria com Neil Gaiman. Ele faz crítica social usando construções nonsense, faz referências a outros livros em suas obras e tem aquele humor britânico afiadíssimo que tanto amo.

A grande sacada da série Discworld é sua total falta de ordem. Afinal, num “universo mágico corporativo em formato de disco sustentado por quatro elefantes em cima de uma tartaruga”, qual seria o sentido de colocar uma ordenação entre os volumes?

No entanto, embora as 41 histórias publicadas na série sejam autocontidas, isto é, com começo, meio e fim, existe sim uma unidade na série, composta basicamente por temáticas e cronologia. Em Discworld existem temas que reúnem parte dos livros (por exemplo, Morte, Bruxas, Magos ou Patrulha), e também livros em cronologias diferentes (o que é importante, visto que muitos personagens transitam de uma história para outra). Cada um dos livros carrega sua dose de satirização não só da natureza humana como também da própria fantasia. Pratchett faz malabarismos com os clichês dos velhos contos de fada, utilizando-os como mote para colocar o dedo na ferida. Promessa de muitas risadas e muita reflexão.

Se você já leu Pequenos Deuses, clica aqui pra gente bater um papo!

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

5 – Fronteiras do Universo (Philip Pullman)

Essa é uma daquelas séries que tento “gentilmente obrigar” todo mundo a ler. A obra é constantemente acusada de fazer apologia ao ateísmo, mas acredito que as pessoas que pensam assim provavelmente não leram o livro com muita atenção. Pullman faz críticas maravilhosas à mistura entre religião e política, regimes totalitários e intolerância de crenças, sempre respeitando o direito à fé de todos, inclusive o direito de não possuir fé alguma. Além disso, Fronteiras aborta temas delicados, como a descoberta da sexualidade, amizade e dever, justiça e perdão. E se tantos questionamentos poderiam deixar a obra pesada, Pullman consegue conduzir sua história com uma leveza impressionante, mantendo um tom de aventura capaz de prender o leitor do início ao fim. Lembrando que a adaptação para os cinemas, de 2007, não faz o menor jus ao livro.

O enredo se baseia na história de Lyra Belacqua e seu dimon Pantalaimon (uma parte consciente de sua alma que a acompanha e assume a forma de vários animais), numa jornada através de lugares fantásticos em busca do significado de uma substância conhecida como Pó. Sua busca a levará a questionar a autoridade de uma Igreja totalitária e a confrontar o próprio Deus.

Se você já leu Fronteiras do Universo, clica aqui pra gente bater um papo!

Fonte: retalhoclub.com - Reprodução

Fonte: retalhoclub.com – Reprodução

Vários outros blogs estão participando do desafio, postando indicações maravilhosas. Vale a pena dar uma olhadinha na lista de participantes, clicando aqui. Ou então utilize a hashtag #EspalheFantasia no Facebook para encontrar nossas postagens. Boa caçada! ;D

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

Precisamos voltar a conversar sobre Mistborn
#LendoSandman – Convergência

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