Deuses Americanos: viajando de carro pela mente de Neil Gaiman

O texto a seguir pode conter spoilers de: Deuses Americanos. Depois não diga que eu não te avisei…

Como fã de Neil Gaiman, eu estava devendo a leitura de Deuses Americanos, um livro que eu até então relutava em tirar da estante e protelava para um futuro que sabe-se lá quando ia chegar. Mas, com o anúncio da adaptação para um seriado e a passagem do ano novo (aquela época em que a gente ainda tenta cumprir as metas direitinho), pensei que o universo havia finalmente aberto uma janela de oportunidade para mim: era hora de conhecer Deuses Americanos.

Fonte: coalrye.deviantart.com – Reprodução

A leitura foi densa, pesada, consumiu todas as minhas forças. Levei uns bons dias para concluir e, quando finalmente terminei, ainda passei mais outros tantos dias de ressaca literária, apenas digerindo a história.

Falando assim, parece até que não gostei de Deuses Americanos. O que é uma mentira: eu amei o livro. É só que Deuses Americanos não é nem de longe um livro fácil.

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Vale a pena ler Julia Quinn?

Já fazia um bom tempo que eu queria escrever sobre a Julia Quinn aqui no TBS. Para além da fantasia, sempre tive um fraco por romances históricos, e Julia Quinn acabou ocupando um lugarzinho de destaque na minha estante e no meu coração.

Fonte: maisqinerds – Reprodução

Sem contar as histórias leves e divertidas, daquelas leituras para aproveitar em casa de pijama, achava a técnica narrativa da Quinn muito interessante: ela é alguém que realmente fez seu dever de casa, tanto comercialmente quanto artisticamente falando.

Porém, e isso acontece com mais frequência do que eu gostaria, recebo alguns olhares tortos quando expresso meu amor pelos livros açucarados da tal autora americana. É como se o gênero do romance, principalmente o romance histórico, com suas cenas de chá quentinho e bailes de gala, fosse considerado uma “forma inferior” de literatura. Como se o gênero contasse apenas com histórias comerciais e clichês programados para capturar mocinhas incautas e sonhadoras pelo pé. Ou, como ouvi certa vez: não gosto deste tipo de livro porque prefiro histórias que me façam pensar.

Ouch.

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A sensibilidade discreta de Reescrevendo Sonhos

Quando peguei o exemplar de Reescrevendo Sonhos nas mãos, senti um friozinho na barriga.

Primeiro porque a Marcia Dantas, autora da obra, é uma amiga querida, o que me permitiu acompanhar todo o processo de lançamento do livro e torcer por seu sucesso. E é claro que isso cria uma responsabilidade extra na hora de fazer a resenha: é preciso deixar o coração de lado e vestir o manto sagrado da sinceridade. Mas não só isso.

Fonte: Detalhe da capa – Reprodução

Para uma pessoa que praticamente só lê fantasia, romance de época e aventura, uma história cotidiana como Reescrevendo Sonhos é um desafio. Como assim não tem mágica? Não tem sangue? Não tem anáguas? Não tem duendes azuis que se escondem no celeiro?

Só que, para a minha eterna surpresa, é justamente esse clima de normalidade, de cotidiano e de rotina que torna Reescrevendo Sonhos um livro tão peculiar.

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Sobre onomatopeias, Tolkien e os estereótipos da linguagem

Às vezes eu preciso pesquisar bastante para encontrar um tema. Mas às vezes, é o tema que vem me encontrar, insistente e repetitivo, aparecendo em diferentes situações da minha vida. Demorei para falar sobre estereótipos de linguagem, principalmente pela densidade do tópico. Mas acho que tá na hora: esse assunto já está me assombrando faz tempo.

Fonte: Warner Bros – Reprodução

Tudo começou com um artigo do The Washington Post, intitulado “Porque porcos franceses falam ‘groin’, abelhas japonesas falam ‘boon’ e sapos americanos falam ‘ribbit‘”.

O título inusitado esconde a profundidade do texto. Nele, a jornalista Karin Brulliard comenta sobre as onomatopeias utilizadas por seus filhos para descrever os sons de diferentes animais. Criadas em uma casa bilíngue (Karin e seu marido possuem nacionalidades distintas), as crianças conhecem ao menos duas versões de onomatopeias para descrever cada um dos bichinhos. Se Karin ensina aos filhos que um porquinho faz ‘oink’, seu marido francês prontamente as ensinará que um bom porco, na verdade, faz ‘groin’.

Essa é uma questão que linguistas e sociólogos estão apenas começando a desvendar. Porque as onomatopeias variam tanto a depender da língua que está sendo falada? Afinal, a lógica deveria ser simples. Não estamos nomeando algo, utilizando radicais, prefixos e sufixos para dar nome ao que depois viria a ser uma águia careca ou um tigre-de-dentes-de-sabre. Estamos apenas tentando reproduzir, com nossas cordas vocais, um som que ouvimos. E, convenhamos, um cavalo sempre soará como um cavalo, seja aqui ou na França.

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