Sobre Lobo de Rua e meu encantamento com o tal do lobisomem

Quando Lobo de Rua foi publicado de forma independente, em 2015, eu já ouvia falar da Janayna P. Bianchi nos grupos de literatura que acompanhava pelo Facebook. Cheguei até mesmo a baixar o ebook numa promoção da Amazon. Só que ele acabou pegando poeira, perdido no limbo eterno das leituras pendentes. Era algo que sempre ficava para depois.

De lá pra cá, Lobo de Rua mudou de mãos, sendo relançado pela Dame Blanche (que anda fazendo um trabalho lindíssimo, diga-se de passagem). Também tive a oportunidade de conhecer a Jana – olha só a intimidade – e de trocar várias figurinhas sobre escrita com ela. E quanto mais a gente conversava, mais eu percebia que já passava da hora de reparar meu deslize: a Jana claramente era alguém que saberia fazer jus aos lobisomens.

Fonte: Dame Blanche – Reprodução

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Brandon Sanderson: Quero mostrar que existe algo de inerentemente bom no ser humano – TRADUÇÃO

Existem algumas entrevistas que me deixam mais apaixonada por um autor do que o próprio livro. Em dezembro de 2016, Brandon Sanderson teve uma conversa com Josep Lapidario para a revista JotDown, da Espanha. E foi uma coisa tão incrível, tão rica em referências e debates, que logo a entrevista tornou-se uma queridinha entre os fãs do autor.

Mas ela até então só existia em inglês e espanhol. E eu sinceramente acredito que um texto desse mereça ser disponibilizado para o mundo todo, para alcançar qualquer pessoa que se interesse pela ficção fantástica. Seja você autor, leitor ou mero simpatizante da área, você merece ler isso.

Num esforço hercúleo, usei todo o meu inglês para entregar esta versão traduzida. Lembrando que os direitos autorais pertencem à JotDown e que eu não sou uma tradutora profissional. Ah, também tentei ser o mais fiel possível, mas tem coisa que simplesmente fica muito feia ao pé da letra e meu ouvido frescurento não aceita. Então saiba que 99% do que está aí foi traduzido tal qual estava, mas que aquele 1% é vagabundo.

Fonte: Jorge Quiñoa – JotDown – Reprodução

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Quem são as Mulheres Perigosas? (+SORTEIO)

O texto a seguir pode conter spoilers de: Mulheres Perigosas. Depois não diga que eu não te avisei… Caso você queira participar do sorteio sem que eu estrague toda a surpresa de ler o livro, basta rolar a página até o final do post e fazer promessa do mindinho de que vai voltar aqui pra ler a resenha algum dia. ;)

Lagerthinha pra representar as manas. Fonte: Tobias Goldschalt – Reprodução

Bem, eu já andava de olho em Mulheres Perigosas desde que a Leya anunciou a publicação aqui no Brasil. Gosto de contos, adoro ver pessoas diferentes trabalhando um mesmo tema e simpatizei muito com o trabalho de Martin e Gardner Dozois em O Príncipe de Westeros e Outras Histórias. Antologias são oportunidades muito boas de conhecer novos autores sem precisar se comprometer com calhamaços ou séries de 10 livros. É como um aperto de mão educado e um flerte na mesa do bar.

Se isso já não fosse motivo suficiente para se interessar pela obra, a temática do livro apela ainda mais fundo para o meu coração: mulheres perigosas. Então quer dizer que eu vou juntar um punhado de autores incríveis (entre eles Martin, Sanderson e Gabaldon, que são mui admirados aqui no blog) e vou colocar todos eles para me contar histórias protagonizadas por mulheres fortes e complexas? Como eu poderia não querer ler isso?

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Segurando (e talvez explodindo) forninhos com Nimona

O texto a seguir pode conter spoilers de: Nimona. Depois não diga que eu não te avisei…

Que tal começar o mês de março com uma história escrita e protagonizada por mulheres dentro de um dos setores mais machistas da literatura? Hoje é dia de falar da Noelle Stevenson. Hoje é dia de Nimona.

Fonte: Host Geek – Reprodução

Ouvi falar da Noelle pela primeira vez em 2015, graças à sua aclamada parceria em Lumberjanes e por causa do projeto gráfico para a capa de Fangirl, livro da Rainbow Rowell. Só mais tarde fui descobrir que ela também era responsável pela criação da Iniciativa Hawkeye, um projeto que reúne fan arts de super heróis nas mesmas posições sexualizadas que as super heroínas para mostrar, entre muitas risadas, o quanto esse costume é babaca e sem sentido.

Dá para perceber, então, que o trabalho de Noelle é permeado pelo humor enganadoramente inocente e pela representatividade, quase que suas marcas registradas. E poxa, vencer no mundo dos quadrinhos com essas duas características e ainda recém formada na faculdade é algo digno de nota. Em 2015, com apenas 23 anos de idade, Stevenson ganharia o prêmio Eisner, que é quase o Oscar para os quadrinhos americanos.

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