Precisamos conversar sobre Mistborn

O texto a seguir pode conter spoilers de: Mistborn – O Império Final. Depois não diga que eu não te avisei…

Eu não sei se isso vai ser bem um post. Ou um tratado. Ou mesmo um devaneio de fã. Mas eu parei tudo o que estava fazendo essa semana para ler Mistborn, agora preciso conversar com alguém.

Capas interligadas da trilogia - Reprodução

Capas interligadas da trilogia – Reprodução

Passei meses ouvindo elogios à escrita de Brandon Sanderson, mais especificamente a uma de suas séries, Mistborn – Nascidos da Bruma. Eu sabia que ele provavelmente era mesmo um escritor de mão cheia, ou não teria sido chamado para escrever o desfecho da aclamadíssima Wheel of Time. Então sim, minhas expectativas estavam altas. Só que eu ainda não tinha conseguido me animar o suficiente para colocar O Império Final, primeiro livro da trilogia, na lista de próximas leituras. Acho que fiquei reticente em me comprometer com um high fantasy de 600 páginas para depois ter que ficar esperando o último volume ser lançado no Brasil (fãs de Game of Thrones sabem do que estou falando).

Mas eis que um dos leitores do blog, o Vitor (a quem preciso agradecer umas trinta vezes), acabou conseguindo fazer minha cabeça. E eu apostei pra ver.

Como resultado, todas as minhas já altas expectativas foram esmagadoramente superadas. Mistborn entrou com folga para a lista dos meus queridinhos. Imagino que Brandon Sanderson faça milagres, já que consegue equilibrar um sistema de magia inovador, um universo, viradas no enredo, desenvolvimento de personagens, ação e romance num livro só, com direito até a explorar clichês massacrados que, em suas mãos, viram ótimos momentos.

Separei tantos comentários ao longo da leitura que ficou quase impossível organizá-los, então optei por simplesmente fazer uma lista. Ao pessoal que quer evitar spoilers, este é o último aviso, hein?

O mundo de Mistborn

Desnecessário dizer que boa parte do fascínio exercido por Mistborn vem de seu complexo universo. Sanderson fez um trabalho magnífico, criando não só um império e um sistema de magia, mas também toda uma cultura, com identidade visual (roupas, arquitetura, culinária) e costumes. O sistema de governo é bem construído e as menções a diversos povos, bem como suas lendas e religiões, torna a história ainda mais crível.

A cereja do bolo, no entanto, fica com a alomancia e a ferruquemia. A capacidade de retirar poder dos metais é bem trabalhada, sendo um conceito que já somos previamente preparados para aceitar. Isso porque o metal sempre ocupou uma simbologia importante na mitologia. De espadas mágicas ao toque de ouro de Midas, o manuseio do metal, bem como a criação das ligas metálicas, simboliza certo domínio do homem sobre a natureza, uma maleabilidade do poder. O metal sempre foi visto com distinção ao longo da História, como substância de valor, seja como fonte monetária ou simples símbolo de nobreza. O peltre, uma das ligas citadas na obra, já era utilizado na confecção de artefatos desde o império romano.

Nascidos da bruma. Fonte: shilesque.deviantart.com - Reprodução

Nascidos da bruma. Fonte: shilesque.deviantart.com – Reprodução

Inclusive, achei genial a ideia de utilizar metais “menores” na alomancia, como o estanho ou cobre. Quando comecei a ler o livro, achei que Sanderson escolheria o ouro e a prata logo de cara. Mas ao deixá-los em segundo plano, o autor cria algo mais…mundano. Conseguimos sentir que a alomancia surge inata, que está ligada ao nascido da bruma como algo biológico, como uma força natural. Quando Kelsier explica que Vin já recebia pequenas quantidades de metal através dos resíduos da água e das canecas, meus olhinhos chegaram a brilhar. Também é muito boa a noção de colocá-los aos pares  como metais externos e metais internos. Me faz lembrar até uma célebre frase do autor que vi outro dia desses:

“An author’s ability to solve conflict satisfactorily with magic is directly proportional to how well the reader understands said magic. (A habilidade de um autor para resolver conflitos satisfatoriamente usando magia é diretamente proporcional a quão bem o leitor compreende a dita magia.)”

No geral, achei a alomancia muito mais bem elaborada do que a ferruquemia, embora esta última também tenha seu charme (mas só por causa de Sazed). Já valeria a pena ler o livro apenas para entender os mecanismos mágicos de Mistborn.

Volta e meia também bato na tecla de como é preciso ter cuidado na hora de criar palavras. E sempre que um livro faz isso com desenvoltura, ganha pontinhos no meu coração. Sanderson é muito coerente em suas denominações, não só entre os vocábulos comuns como também nos nomes de cidades e regiões do Império. Os nomes dos personagens também fazem sentido, e dá pra notar instintivamente a diferença entre as palavras originárias de Luthadel e aquelas provenientes de outras regiões.

O uso moderado de descrições é outro ponto alto na narrativa. Brandon não perde tempo com páginas e páginas de informação, deixando a quantidade certa de brechas a serem preenchidas pela imaginação do leitor, tanto no cenário quanto na caracterização de personagens. Você consegue compreender a imagem desejada pelo autor, mas de um jeito somente seu. Essa qualidade também ajuda a tornar cenas de ação mais dinâmicas.

Kelsier e Vin

Em O Império Final, o protagonismo se alterna entre o sobrevivente Kelsier e Vin, a temerosa garota de rua.

Fonte: tetra-007.deviantart.com - Reprodução

Fonte: tetra-007.deviantart.com – Reprodução

Kelsier é um protagonista engraçado. Primeiro porque, apesar de acompanhar seu ponto de vista por boa parte do livro, nunca ficamos realmente a par de tudo o que ele faz ou pensa. Isso o torna uma grande incógnita na narrativa. Um dos grandes entretenimentos do livro é entender qual a verdadeira motivação de sua vingança, poder desconfiar ou acreditar nele.

Segundo porque o personagem encarna o estereótipo do bom malandro, sempre irreverente e escorregadio, porém com um enorme coração de manteiga. Kelsier me lembrou demais o vigarista Locke, de As Mentiras de Locke Lamora. As semelhanças vão desde seu gosto por trapacear a nobreza e seu amor pelos integrantes da gangue até o romance mal resolvido com uma mulher a qual o leitor pouco conhece. Mas, como os dois livros foram lançados originalmente em 2006, creio que as similaridades devem-se apenas ao senso comum de construção do “herói ladrão”.

Kelsier também é um personagem multifacetado. Gosto do modo como ele transita entre sua vulnerabilidade interior (buscando vingança e pranteando Mare) e sua relação paternal com Vin. Ao adotar Vin, Kelsier mostra-se mais que um instrutor de alomancia. Ele é seu guia, seu porto seguro e também é o personagem que mais impulsiona a garota a acreditar em seu próprio potencial. Seu protagonismo no primeiro livro é fundamental para moldar a heroína que veremos no restante da trilogia.     

E por falar nela, Vin é uma das personagens femininas mais fortes que conheci, tendo alcançado esse posto de um modo bem peculiar: trilhando o caminho inverso ao de boa parte das heroínas atuais.

Estamos nos acostumando à história da menina que se tornou forte. Assim como Arya, em Game of Thrones, nossas heroínas sofrem uma queda brusca e precisam aprender a sobreviver. Vin, por outro lado, já era uma sobrevivente, era acostumada ao pior do submundo. A jornada de Vin é em busca de confiança, de doçura, da capacidade de enxergar o bem e a felicidade em si ou no próximo.

Aprender a confiar nas pessoas e valorizar amizades são os grandes objetivos do desenvolvimento de Vin, algo que tanto a deixará mais forte quanto mais vulnerável. Pois como ensina Kelsier, a traição é um risco inerente à confiança. E ela precisará lidar com esse risco e aprender a conviver com sua sensibilidade recém conquistada.

No entanto, se a princípio a mudança de Vin para Valette faz com que a heroína pareça estar se tornando mais “frágil”, acontece justamente o oposto. Ao crescer em sensibilidade e aprender a camuflar-se entre os nobres, Vin também torna suas habilidades mais apuradas. É muito bonito vê-la tornando-se mais sutil, esperta e letal à medida em que deixa de ser a garotinha assustada que batalhava por um prato de comida.

Valette/Vin - Fonte: - http://gunghogrimm.deviantart.com/ Reprodução

Valette/Vin – Fonte: – http://gunghogrimm.deviantart.com/ Reprodução

Vin também é forte sem que deixe de parecer uma jovem condizente com sua idade. O romance com Elend, seu desconforto com as ações de Fantasma, a vergonha por desafiar Kelsier. A garota abarca tantos aspectos femininos que só poderia ser descrita por uma palavra: real.

Me agrada o modo como ela parece conseguir perdoar as atrocidades realizadas pela nobreza, mas não consegue sequer suportar a ideia do estupro de mulheres skaa. Vin trabalha conceitos muito bons de desigualdade de gênero sem que a coisa pareça uma lição de moral forçada pelo autor.

Vin é, de longe, minha personagem favorita em Mistborn.  

O Senhor Soberano

Gosto do antagonista criado para O Império Final. Não que ele seja lá muito inovador em sua concepção. Misterioso, antigo, supostamente invencível, tirano, se vê como deus, roupas bacanas. Uma carapuça que serviria desde Sauron até Xerxes.

Porém, foi com sua apresentação dúbia (tanto na identidade do Senhor Soberano quanto em suas verdadeiras motivações) que Sanderson me conquistou.

Os fragmentos de diário do suposto Herói das Eras, apresentados no início de cada capítulo, nos deixam cada vez mais na dúvida quanto à identidade e caráter do Senhor Soberano. A grande questão aqui não é sua função de antagonista do livro, mas o processo que o transformou em um tirano. Ser vilão em si é o menor de seus papéis, pois o Senhor Soberano atua mais como uma peça de reflexão. Até que ponto o poder pode corromper? O título de salvador da humanidade, o status de herói, não é suficiente para colocar tudo a perder? Será que o mesmo homem que ordena execuções em massa seria capaz de redimir seu povo perante as Profundezas?

Senhor Soberano - Fonte: inkthinker.deviantart.com - Reprodução

Senhor Soberano – Fonte: inkthinker.deviantart.com – Reprodução

Gosto como Vin acaba criando empatia com o Herói quando lê seu diário, algo que a assusta. Sanderson nos mostra que somos capazes de compreender a sina que leva outra pessoa a tomar decisões ruins, podemos entender os caminhos da inveja e da soberba. Aprecio particularmente uma passagem onde o Herói afirma não gostar de usar a força para oprimir, mas entende ser esta a única ferramenta disponível. Esse embate ético é sempre bem bacana de acompanhar.

A leitura do diário ainda serve para traçar um paralelo entre a personalidade de Kelsier e Vin. Ao ler as palavras do Herói, vemos o quanto Kelsier se assemelha a ele, principalmente se lembrarmos que o Herói nasceu como um mero ferreiro, um homem comum (essa ascensão lá de baixo é uma construção bastante utilizada na fantasia). É possível notar a identificação de Kelsier com as opiniões do Herói, com seus dilemas psicológicos. Em seu lugar, o nascido da bruma teria feito diferente? Teria lidado com Rashek?

Vin, por sua vez, levou uma vida muito mais difícil, onde sobreviver consistia num objetivo maior que a ética. Por isso, tornou-se prática e livre de tantas culpas. Quando lê o diário, apesar de sua empatia, Vin chega a comentar que o Senhor Soberano é um grande chorão. Essa afirmação me fez ter a certeza de que seria Vin, e não Kelsier, a pessoa adequada para dar cabo do Império. Algumas coisas simplesmente precisam ser feitas, e não se pode pensar muito sobre isso.  

Outros personagens

Praticamente todos os personagens presentes em Mistborn possuem um desenvolvimento próprio e são interessantes de acompanhar. Até mesmo Brisa, Ham e Dox, cujo papel é mais voltado para manter o humor e o clima de “bandidagem camarada”, possuem seus dramas, fraquezas e virtudes. Aliás, Mistborn é um exercício de reflexão. São tantos questionamentos sobre a natureza humana que é preciso parar e pensar durante a leitura de alguns capítulos.

De Brisa, por exemplo, sai um dos melhores diálogos do livro, sobre o quanto é válido manipular as emoções de outra pessoa com o uso do metal, e se nós já não fazemos isso todos os dias sem perceber. Marsh não fica atrás, representando o contraponto de Kelsier, sua âncora com um passado doloroso. O relacionamento dos dois é bem construído, a tensão e o carinho se misturando com perfeição.

Sazed conquista fácil com sua mansidão e profunda sabedoria. Se os ministros religiosos do Império são representados na figura de obrigadores e inquisidores, é o mordomo terrisano que realmente encarna a fé, a paz de espírito. Gosto da forma como ele ensina Vin sem que ela sequer perceba, afirmando coisas de múltiplos significados, coisas que a garota só entenderá plenamente quando amadurecer.

Sazed e Vin. Fonte: Pinterest - Reprodução

Sazed e Vin. Fonte: Pinterest – Reprodução

Reen, embora nunca apareça em carne e osso na história, acaba se tornando uma figura agridoce, alguém que amamos odiar. Reen agredia Vin e causou-lhe diversos traumas, mas acabou sendo leal à irmã. Fora que, de um jeito pouco didático mas eficiente, foram os ensinamentos de Reen que permitiram a sobrevivência de Vin, sua tenacidade e pensamento rápido.

Também gostei das reflexões geradas pelo abismo entre skaa e nobreza. Muitos dos costumes, como o estupro de mulheres skaa, refletem partes de nossa própria história, dos regimes escravagistas e totalitários. Ao mesmo tempo, ao enxergar além da visão maniqueísta que divide as classes sociais em boas e más, Valette percebe que há beleza na nobreza. Percebe que seu objetivo maior não é aniquilar a aristocracia, e sim permitir que todos os membros da sociedade tenham condições de desfrutar de lazer, conforto e descanso, sem distinção. Quando confronta Kelsier sobre seu ódio à nobreza, Vin mostra que realmente conseguiu compreender o sistema.

E por falar em nobres…céus, como shippei Vin e Elend!

De certa forma, o romance dos dois consegue quebrar um pouco a narrativa de aventura que conduz a obra, sendo um agradável fôlego no meio da ação. O clima de baile, o flerte, os vestidos coloridos… É uma situação tão austeniana que não tem como a gente não acabar torcendo pelo casal. E já que o autor parece não se importar com clichês, nada como explorar um bom romance rebelde adolescente.

A desenvoltura de Elend me agrada. Seus diálogos com Vin são sempre provocativos e espirituosos, como um jogo de gato e rato. Também acho interessante como o personagem consegue manter seu charme mesmo que se mostre ingênuo. É um par inusitado, com certeza,  mas com uma química excelente.

Defeitinhos

Apesar de considerar O Império Final o mais novo xodó da minha estante, a obra não está livre de defeitos. Pequenos, é verdade, mas ainda estão lá.

Pessoalmente, achei os mapas de Luthadel e do Império bem confusos e de pouca serventia para a trama. Tornei minha leitura mais fluida, inclusive, quando parei de consultar os mapas a cada parágrafo e simplesmente deixei a imaginação trabalhar sozinha. Também senti falta de explicações para os símbolos mostrados na rosa dos ventos, aqueles “círculos com pregos”.

A insistência em usar as palavras “puxar” e “empurrar” a todo momento durante cenas de ação me deixou bastante desconfortável. Eu já entendi como funciona, não preciso ser lembrada a todo instante qual metal está sendo ativado e qual seu efeito. Além disso, o uso ininterrupto dos mesmos verbos torna a narrativa cansativa e muitas vezes embolada, e precisei reler alguns parágrafos para entender quem fez o que e como.

Empurrar e puxar, empurrar e puxar. Fonte: Pinterest - Reprodução

Empurrar e puxar, empurrar e puxar. Fonte: Pinterest – Reprodução

Algumas palavras também ficaram esquisitas na versão em língua portuguesa. Demorei para me acostumar a enxergar “brumoso” e “brutamontes” como coisas épicas. Da primeira vez que você lê, elas soam mais como algo cômico.

Muita gente aponta os clichês como um defeito do livro. Podemos realmente encontrar vários deles, como o passado humilde do antagonista e o romance proibido entre o herdeiro riquinho e a menina de origem servil disfarçada entre a nobreza. Porém, achei que Sanderson soube trabalhar bem esses aspectos. Não me incomodei nem um pouquinho.

Por último, não sei se estou ficando muito escaldada por ler tantos livros de fantasia, mas senti que várias revelações da trama ficaram previsíveis. Como se Sanderson, ao plantar pistas para fugir do deus ex machina, acabasse não sendo lá muito sutil. Lembro que na cena em que Kelsier encontra o suposto cadáver de Marsh, assim que li “a cabeça completamente esmagada”, já liguei o alerta. Opa, esse aí deve ser outra pessoa.

Também já tinha minhas suspeitas quanto a Rashek e a ferruquemia. Um outro sistema de magia não estaria envolto em tantos mistérios no enredo para nada.

Previsões

Não faço a mínima ideia do que acontece no plot de O Poço da Ascensão, então estarei sendo bem ousada nessas considerações, com grande chance de quebrar a cara. Mas ao menos, são essas as coisas que espero encontrar no segundo volume:

– Imagino que Marsh vá assumir o papel “paterno” em relação a Vin. Isso faria sentido uma vez que o personagem mostra grande senso de dever e uma conexão profunda, embora conturbada, com o irmão. Esse sentimento provavelmente será transferido para a garota. Seria também uma boa forma de fazer com que Vin continuasse desencavando os segredos de Kelsier. Além de ainda precisarmos descobrir o que realmente houve com Mare, fiquei com a impressão de que a mulher era fonte dos desejos não só de Kelsier, mas também de Marsh.

– Espero ver Elend no limite. Ao longo do livro, percebemos que apesar do jovem ter bom coração e estar bem intencionado, Elend é uma pessoa ingênua e sem o menor conhecimento de mundo. Tudo em sua vida foi apenas teoria, o rapaz nunca foi testado em situações de estresse real. Ao contrário de Vin, Elend está tendo sua primeira oportunidade de amadurecer na vida, o que não é lá muito adequado quando se precisa exercer o papel de rei. Elend precisará aprender a usar a política a seu favor e entender como realmente funciona um governo. Não confio em nada em seus colegas filósofos e muito menos no resto da aristocracia (isso sem mencionar seu próprio pai). Falando nisso, lembra quando Lorde Venture dá a entender que o filho tentou levar outra mulher para a cama no passado? Estou apostando em muitos, muitos conflitos (e romancinho, claro).    

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

 

– Seguindo essa linha de raciocínio, espero um desenvolvimento grande para o personagem de Fantasma. O garoto, ao contrário de Elend, é o único capaz de compreender os dilemas de Vin, já que veio das mesmas origens e conheceu a vida no submundo. Não acho que Fantasma tomará papel num triângulo amoroso, mas funcionará como um braço direito nesta nova fase da heroína. O rapaz provavelmente terá amadurecido muito após ter seu pescoço salvo por Kelsier, e não podemos nos esquecer de que Fantasma é o melhor Olho de Estanho da oficina de Trevo. Gostaria mesmo de vê-lo em ação.

– Ainda sobre Elend, sabemos que a maioria dos brumosos só ativa seus poderes após algum episódio traumático. Como Elend sempre foi um jovem aristocrata cercado de cuidados, ainda tenho esperanças de que o rapaz carregue habilidades alomânticas escondidas.

– Tem um caroço enorme nesse angu sobre quem é o verdadeiro pai de Vin. Imagino que ninguém tenha engolido a história do sumo prelado, ainda mais pelo fato da garota possuir poderes tão avançados. O pouco que sabemos sobre sua mãe é que a mulher ouvia vozes e assassinou a filha caçula enquanto proclamava a filha do meio como rainha. Caso Vin se case com Elend, na atual conjuntura, ela de fato será uma rainha. E também, sua mãe não é a única pessoa a ouvir vozes, uma vez que a própria nascida da bruma “escuta” o irmão o tempo todo. Minha aposta é que a mãe de Vin (se é que era a mãe dela mesmo) não era tão insana, e que Reen ainda será peça chave para a descoberta de uma trama maior. Sempre há outro segredo, certo?

– Caso Sanderson continue seguindo o clichê do herói redentor hiper habilidoso, estou apostando que Vin terá algum controle de ferruquemia no próximo livro. Nesse caso, Sazed ocuparia o cargo de Kelsier como mentor.

– Pessoalmente, acho o kandra um personagem pra lá de interessante e, justamente por causa da aversão de Vin, creio que ele terá muita importância na trama que está por vir. Quem seria mais adequado para explicar o que são e de onde vieram as brumas, né mesmo?

– Imagino que Brisa, Ham, Dox e Trevo serão presenças constantes na vida de Vin, mas não sei se no mesmo grau de amizade e descontração. O poder faz coisas estranhas com as pessoas. Não ficaria surpresa se houvessem rachaduras de confiança entre os ex-membros da gangue.

– E por falar em Vin, acho que a garota abraçará de vez seu papel de nascida da bruma. Espero vê-la, então, como um meio termo entre a menina das sombras e Valette. Uma mulher feita, confiante e capaz de mexer muitas engrenagens no novo governo, seja na linha de frente ou nos bastidores.

– Sinto que quando estamos falando sobre O Herói das Eras que fracassou, estamos na verdade acompanhando duas histórias distintas, cíclicas. Para mim, o fracasso do herói terá mais a ver com a missão futura de Vin (e talvez Elend) do que com O Senhor Soberano em si, como se tudo estivesse acontecendo outra vez.

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