Retrospectiva TBS – 2017

Uma retrospectiva pra lá de significativa.

Fonte: Eventbrite – Reprodução

2017 foi um daqueles anos coletivamente complicados. Não teve quem não sentisse o baque, o tranco. No mínimo uma lombada. Tive muitas lombadas esse ano. E talvez por isso, por ter batalhado o dobro em cada um desses 365 dias pra compensar os azares do acaso, o ano tenha se mostrado tão marcante.

Li certa vez, num artigo sobre marketing digital, que o tempo de vida de 90% dos blogs criados é de mais ou menos três anos. Muitos acabam bem antes, claro, mas existe uma espécie de barreira simbólica: quem passa dos três anos, veio pra ficar. Virou projeto de vida, virou hábito, mania e necessidade. Começa a rolar retorno, a coisa se profissionaliza, novos horizontes surgem.

Lembro de ler essa matéria e suspirar, pensando que eu ainda tinha um caminho enorme pela frente. Tive medo de desistir pelo meio, de perder o fôlego. Sempre foi um desafio manter o blog no ar em paralelo com o restante da minha vida. Dá um trabalhão e tem hora que realmente cansa.

Mas, olha só: o TBS acabou de completar três anos. TRÊS FUCKING ANOS. Rompemos a barreira mágica! E mesmo com todos os perrengues, 2017 trouxe uma retrospectiva linda pra compartilhar.

Simbora relembrar tudo o que aconteceu no ano mais treteirinho da década? Seja muito bem vindo à retrospectiva/agradecimento/quadro de avisos/confra de Natal/micareta/baile funk/open bar do TBS! Bebidas por minha conta!

Fonte: Sutori – Reprodução

O TBS EM NÚMEROS

2017 trouxe um bom crescimento para as estatísticas do blog. Tivemos 45 mil acessos a mais no site do que no ano passado, um aumento de 49% no total de visitantes. A fanpage no Facebook chegou a 6 mil curtidas e ah, eu criei um Instagram!

Foram 31 artigos publicados no site, entre resenhas, dicas de escrita, listas e especiais. Além disso, 19 edições da newsletter abarrotaram a caixa de entrada dos recém conquistados 184 assinantes.

Boa parte destes números é fruto de uma divulgação melhor planejada e estruturada, que não seria possível sem o auxílio dos 11 padrinhos e madrinhas do blog. Mas falaremos sobre eles mais adiante.

E eu não sei porque, mas pelo terceiro ano consecutivo as palavras mais buscadas no Google que redirecionaram para o meu blog foram: Susana Pevensie. Então já sabem, caso queiram dar uma alavancada na audiência de um post, basta jogar uns SUSANA PEVENSIE perdidos pelo texto. É batata…

Fora isso, tivemos ainda mais criatividade por parte dos coleguinhas internautas. Tão aí as buscas detentoras das minhas maiores risadas:

– quero shippar sim
– como posso falar com o sandman
– mocinha encontra mocinho desmemoriado
– texto para voltar a conversar com irmão
– fanfic a primeira vez de pedro pevensie
– vida sexual do lobisomem
–  quem é o crush do legolas
– livro de romance com mocinho manco (o mais engraçado é que sei qual é o livro!)
– por favor me diga 10 características de uma bruxa
– assassino com a cara bonitinha
– eu te amo apesar do neil gaiman (achei compreensível)

Fonte: Tumblr – Reprodução

PÁGINAS DEVORADAS

A Traça devorou 29 livros este ano, um número relativamente pequeno mas que achei satisfatório considerando a trolha de problemas e responsabilidades que chegaram em 2017. Colocá-los em ordem de preferência é sempre um incômodo e esse ano foi ainda mais difícil: praticamente só tive boas leituras. Como meu tempo foi bem mais apertado, priorizei a leitura de títulos com boas chances de me agradar, então esse efeito já era esperado. Me arrisquei pouco em novos gêneros e o pouco que arrisquei acabou dando certo. Eis a lista:

25 – Esse Cabelo
24 – O Feiticeiro de Terramar
23 – Abominação
22 – Percy Jackson (dois primeiros livros)
21 – A Rainha do Fogo
20 – O Senhor da Torre
19 – Só os Animais Salvam
18 – Mitologia Nórdica
17 – Mirta Vento Amarelo
16 – A Canção dos Shenlongs
15 – Labirinto
14 – Quarteto Smythe-Smith (os quatro livros)
13 – Nimona
12 – A Casa do Lago
11 – Mulheres Perigosas
10 – Aniquilação
9 – Lobo de Rua
8 – Caçador em Fuga
7 – Deuses Americanos
6 – Reparação
5 – A Canção do Sangue
4 – O Conto da Aia (a resenha vai ficar pra 2018)
3 – Jonathan Strange & Mr. Norrell
2 – Jardins da Lua
1 – A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil

Palmas para a campeã do ano! Fonte: Tumblr – Reprodução

Aproveito pra lembrar que os critérios de classificação são totalmente baseados no meu gosto pessoal e no número de lágrimas derramadas, não sendo jamais uma classificação imparcial (coloquei os links para todos os títulos que foram resenhados esse ano).

POSTS MEMORÁVEIS

Entre tapas, beijos e tretas, sempre tem aqueles posts que marcam o ano, seja pelo retorno do público, seja por ter aberto portas importantes ou simplesmente pelo prazer em escrevê-los. Vou deixar aqui a lista dos meus queridinhos de 2017:

Vale a pena ler Julia Quinn? (Foi um post muito divertido de escrever, uma parceria com a Luciana que eu já almejava fazia bastante tempo. O texto acabou repercutindo além do normal e, para nosso delírio, foi compartilhado pela própria Dona Quinn. Também acabei fazendo uma pontinha lá no Coruja, falando sobre contos de fadas.)

TBS entrevista: Gail Carriger (Não é todo dia que a gente consegue uma entrevista com uma autora que admira muito, ainda mais quando se vai lá pedir na maior cara de pau. Sou extremamente grata à Gail e sua equipe, que me tornaram ainda mais fã do Protetorado da Sombrinha.)

Brandon Sanderson: Quero mostrar que existe algo de inerentemente bom no ser humano (Falando em entrevistas, fiz a tradução dessa matéria da revista JotDown com o Sanderson, que eu considero uma fonte de inspiração pra qualquer escritor, independente de ir com a cara da Cosmere ou não. Além dos ensinamentos, o post me rendeu uma aproximação maior com outros fãs do autor.)

Eu lendo a entrevista do Sanderson. Fonte: Tumblr – Reprodução

O livro enquanto experiência de leitura (Um dos posts que mais me diverti escrevendo e debatendo depois com os leitores. Uma opinião que eu já queria expressar faz tempo e que coincidiu muito bem com a compra de livros como “S.” e “A Rosa e o Espinho”.)

Sobre Lobo de Rua e meu encantamento com o tal do lobisomem (Primeiro, esse post me marcou porque peguei o livro pra ler meio na doida e fiquei muito feliz de encontrar alguém que retratasse lobisomens do jeito que eu gostaria de ter feito. Segundo, foi um post que me colocou em contato com a Jana, uma das pessoas que mais me ensinou sobre escrita neste ano.)

Eu finalmente li Jonathan Strange & Mr. Norrell (Esse post foi uma catarse apaixonada que eu escrevi em estado febril e do qual me orgulho muito. QUE LIVRO, cara.)

Quem são as Mulheres Perigosas? (Gosto deste texto por dois motivos: primeiro por ter sido uma tarefa difícil resenhar cada conto sem entregar nenhum spoiler e segundo porque eu e o Anderson do Intocados acabamos tendo a mesmíssima opinião sobre quase tudo.)

Sobre onomatopéias, Tolkien e os estereótipos da linguagem (Definitivamente um dos posts que eu mais gosto na história do TBS. Acho que foi o texto com mais hiperlinks, pesquisa e temas nonsense que já escrevi. E é Tolkien, o que por si só já merecia uma menção.)

E como nem tudo são flores…
Vale a pena entregar o troféu abacaxi para “Tolkien x Personagens femininas: quem vai atirar a primeira pedra?“. Olha, realmente me atiraram várias pedras. Eu sabia que o tema era polêmico mas não imaginei que seria tanto ou num nível tão visceral. Nunca fui tão xingada ou diminuída em toda a minha vidinha online. Mas aprendi a me livrar de pessoas tóxicas e cá estamos, não é mesmo?

Tô mal mas tô bem. Fonte: Tumblr – Reprodução

PESSOAS E PARCERIAS, EVENTINHOS E EVENTÕES

Esse foi definitivamente o ano das pessoas. Teve tanta gente me ajudando e me inspirando que eu fiquei até com medo de citar os nomes pra não correr o risco de esquecer ninguém. Foram amigos, familiares, leitores, blogueiros, colegas. Um mói de gente. Na dúvida, vou seguir com o clichê: vocês sabem quem são. Vocês sabem o quanto são importantes e quantas boas risadas me arrancaram. Me poupem de rasgar seda nessa retrospectiva, tá bem? Vocês sabem bem quem são. E precisando de mim, é só chamar. <3

Bem, neste ano o TBS também fechou parcerias com três editoras cujo trabalho admiro: a Leya, a DarkSide e a Arqueiro.

Escrevi uma edição da newsletter certa vez comentando como parcerias podem limitar a liberdade do que você lê, ou sobre como é importante manter-se livre para selecionar as próprias leituras. Muita gente se afoga em parcerias e acaba não dando conta, o que é ruim para os dois lados. Depende muito do perfil do blog. No ritmo do TBS, de um, dois ou no máximo três posts por mês, parcerias eram inviáveis. Eu não queria sacrificar o tamanho dos meus textos e quantidade de carinho e atenção que eu colocava neles. Ter prazos para postar e leituras obrigatórias era algo que eu não comportava.

Ué, Fernanda, mudou de opinião?

Fonte: Tumblr – Reprodução

Nops, de maneira nenhuma. Mas felizmente encontrei gente bem bacana no meu caminho, disposta a conversar. Gostaria de agradecer a cada uma das editoras por, a seu modo, compreender e abraçar as peculiaridades do blog, por entender minhas limitações de tempo e por prezarem a qualidade das resenhas acima da quantidade. Obrigada por sempre toparem meus planos malucos e por acreditarem no meu trabalho a ponto de mandar os prazos pras cucuias. Vocês vão terminar me deixando mimada. <3

Ah, e em 2017 tivemos ainda uma dinâmica um tanto inédita para mim: eventos! A possibilidade de conversar ao vivo com outros apaixonados pelos mesmos livros que eu!

Estive na CCXP Tour no primeiro semestre, a primeira edição a acontecer no Nordeste do país. Logo depois veio a Bienal de Pernambuco e, no segundo semestre, fui convidada pela Editora Leya para cobrir a CCXP em São Paulo. Todos os três eventos me proporcionaram momentos incríveis, tanto por conhecer ao vivo pessoas queridas quanto por experimentar aquele clima único que só acontece quando você junta muitos fãs de uma certa coisa dentro de um mesmo espaço.

Queria escrever uma redação aqui sobre os eventos, mas- plot twist – eu já fiz isso. Então vou deixar o link com as minhas impressões sobre a CCXP Tour e sobre a CCXP 2017.

MISTBORN! Fonte: Autoria própria.

Além disso, tive o prazer de apresentar, junto aos meninos do Sétima Cabine, o Clube Leya de Ficção Fantástica em seu primeiro ano em Recife. Foi uma experiência bem legal poder construir o evento ao lado da editora, testando novas abordagens e sobretudo trocando ideias com o público local e coletando feedbacks. Muitas vezes a internet, com suas fronteiras invisíveis, nos faz negligenciar o público local, as pessoas que estão realmente próximas da gente. Queria agradecer a todos que compareceram: foi MUITO divertido estar com vocês.

AS MENINAS DOS OLHOS

Em meio a tantas conquistas, eu até tento dar uma de mãe politicamente correta e dizer que amo todo mundo igual, mas nem sempre consigo. Não é segredo que eu tive duas meninas dos olhos em 2017: a Destinos Traçados e a Mafagafo.

A Destinos Traçados, newsletter do blog, completou um ano de vida e 33 edições enviadas desde o ano passado. E eu não sei bem explicar que mágica que acontece por lá, mas eu tenho um prazer enorme de preparar cada uma das edições, planejar os textos, catar os GIFs… É um espaço muito íntimo, muito família, irreverente. Coisas pessoais foram expostas ali. De palavrões a lágrimas. E o retorno dos leitores é sempre maravilhoso, como nenhum form de comentários ou rede social conseguiria imitar. Acho que a gente abriu o coração um pro outro naqueles emails e só quem tava lá sabe (sobretudo a história de uma certa barata…).

A segunda menina dos olhos passou boa parte do ano oculta e só agora em dezembro veio à tona: Mafagafo, a revista brasileira de contos de fantasia e ficção científica divididos em quatro partes.

Revista Mafagafo!

Tudo na Mafagafo foi novo e desafiador. Desde o convite da Jana Bianchi (a quem sou imensamente grata pelo apoio) até a concepção da ideia e escrita do conto. O texto que será publicado por lá em janeiro é o meu primeiro, profissionalmente falando. O primeiro que foi feito com zelo e seguindo um processo, o primeiro cuidadosamente revisado e editado, com betagem e tudo mais (obrigada Gabriela Castro , Marcia Dantas e Vitor Clemente, sempre à postos). Costumo brincar que num ninho cheio de mafagafos experientes e talentosos, eu sou aquele filhotinho que nasceu por último e ainda tá sem pena. Está sendo um aprendizado e tanto.

Ainda tenho um milhão de coisas pra falar da Mafagafo, tô me coçando pra contar, mas vou aguardar o lançamento no ano que vem. Quero feedbacks! ;)

ESTARÁ O TBS SE PROFISSIONALIZANDO?

Eventos, publicações em revista, crescimento de acessos, parcerias…nós temos até cartãozinho! Dá pra notar que o TBS está tomando um rumo maior  do que o esperado, não é? Deve ser essa tal barreira dos três anos…

Cartões do TBS

Bem, o fato é que o blog chegou a um momento bem importante. Finalmente, minhas vidas paralelas dignas de Peter Parker estão se chocando, se embolando e, porque não, virando uma só. Eu adoraria viver do meu trabalho no TBS. Se não especificamente do blog, ao menos das áreas correlatas. Literatura é a minha paixão e poder contar uma boa história é  algo que me atrai como o fogo atrai as mariposas. É o que realmente gostaria de fazer.

Várias coisas foram acontecendo ao longo do ano que já apontavam para essa tendência, sem que eu nem mesmo percebesse. Publiquei um conto na Revista Trasgo, que enviei por puro impulso e vontade. Lançamos a Antologia Valquírias em formato físico e fizemos um debate online para compartilhar essas experiências. Meus posts começaram a ser divulgados por editoras e autores. Participei da Oficina de Redação do Rodrigo Van Kampen (que recomendo) para ter uma base melhor e escrever o conto da Mafagafo. Peguei freelas de edição, revisão e leitura crítica. Dei parecer profissional sobre os livros de autores que considero muito melhores do que eu.

Casei. Saí da casa dos meus pais (embora ainda volte de vez em quando pra filar a bóia). Com as novas contas e responsabilidades, tive medo de não dar conta do blog, que embora não custe uma fortuna, ainda é um gasto mensal. Abri um projeto de financiamento coletivo contínuo. Ganhei padrinhos e perdi as contas de quantas vezes chorei de emoção porque alguém nesse planeta estava apostando seu dinheiro (dinheiro de verdade!) no meu trabalho. Descobri que posso ser remunerada pelo que faço. Me cadastrei como associada da Amazon. Encarei verdadeiramente a responsabilidade que eu tinha em mãos: eu precisava fazer o dinheiro dessas pessoas valer a pena. Não importava o que estava acontecendo na minha vida pessoal, eu PRECISAVA honrar os prazos e compromissos acertados.

https://www.padrim.com.br/bookworm

E acho que foi aí que comecei a enxergar o TBS de outro modo. Quer dizer, sempre tive esse sonho tímido de viver da escrita. Mas era um sonho, um verbo conjugado sempre no futuro. Foi em 2017 que comecei a ver o blog como algo presente, como um projeto que já estava em andamento e que fazia parte do que eu considerava carreira. Não é que ele deixou de ser um hobby e uma diversão (mudar isso seria contra meus princípios), mas ele virou um hobby digno de investir.

Com a ajuda de pessoas muito incríveis que apareceram do lado Peter Parker da minha vida (aquele em que faço mestrado e pesquiso sobre Computação), consegui aliar tudo o que gosto num canto só: em 2018, meu doutorado será focado em storytelling transmídia voltado ao público infantil. E a gente já tem até projeto chancelado pela Sociedade Brasileira de Computação e tudo! Comecei a contar para todos do meu convívio que tenho um blog. Comecei a contar para os leitores do blog sobre o mestrado/doutorado. E olha, que alívio tá sendo juntar essas metades da laranja.

Pra 2018 tenho muitos planos. Pra 2017 tenho infinitos agradecimentos. A todos vocês que me acompanharam até aqui (sobretudo aos padrinhos, apoiadores e amigos), um abraço gigante da Traça. Que possamos ser bons e bravos para agarrar novas oportunidades. Continuem devorando livros. Curtam as férias. Comam chocolate. Beijão.

Até 2018! Fonte: Tumblr – Reprodução

Estive na #CCXP 2017 e foi épico!
Vamos todos parar e apreciar O Conto da Aia

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