Dama-da-Noite: mitologia do outro lado do Atlântico

O texto a seguir pode conter spoilers de: Dama-da-Noite. Depois não diga que eu não te avisei…

Já falei aqui no blog sobre como a literatura fantástica moderna tem suas origens profundamente enraizadas na mitologia, nas lendas e fábulas da cultura popular. Se a gente sempre está buscando criar identificação no leitor através de construções e arquétipos comuns, que estratégia seria melhor do que beber direto da fonte?

Fonte: QuotesGram - Reprodução

Fonte: QuotesGram – Reprodução

Conheci a Cátia Figo por acaso, quando ela topou com o blog e me enviou um email sobre seu primeiro livro, Dama-da-Noite. Cátia é uma autora portuguesa, nascida na cidade de Figueira da Foz, que decidiu aventurar-se em uma publicação com a Chiado Editora. O que nos uniu? Um profundo interesse pela história de Lilith, minha versão preferida sobre o desenrolar dos acontecimentos no Jardim do Éden.

Nesta versão da mitologia judaica, a primeira mulher criada por Deus não é Eva, mas sim Lilith, um ser concebido de igual para igual com Adão (esqueça aquela parte da costela). O problema é que Adão não gostou muito dessa história e tentou fazer com que sua esposa lhe fosse completamente submissa. Revoltada, Lilith abandona o Éden e segue com a própria vida, enquanto Deus tenta apaziguar as coisas retirando uma segunda esposa, agora sim, da costela de Adão. Enquanto Lilith representa a emancipação feminina, Eva personifica a esposa recatada e casta, o exemplo de mulher defendido nas religiões abraâmicas até hoje.

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