Só os Animais Salvam: a incapacidade de definir o que é ser humano

Dia desses, li o texto de um professor astrofísico da Universidade de Princeton, afirmando que o Universo é vasto demais para a criatividade da ficção científica. O que ele quis dizer é que, além de não conhecermos a totalidade do cosmos que nos cerca, somos igualmente limitados por nossa própria humanidade.

Fonte: DarkSide – Reprodução

Qualquer raça alienígena que imaginemos, qualquer sociedade ou sistema de governo ainda terá raízes em nossa própria experiência, em nosso paradigma sobre o que é, para começo de conversa, uma raça. Nossos aliens podem até ter duas cabeças ou cinquenta olhos, mas quando tratamos de seu interior, de seus desejos, temores e aspirações, temos personagens basicamente humanos. A ficção em geral trata sobre empatia, sobre como gerar compreensão entre personagens e leitores, sobre como criar essa ponte e então aproximá-los. Ainda que estejamos lendo sobre um filhote de cisne que pensa que é um pato, a vergonha do cisne por sua feiura é algo inerentemente humano. Por mais que nos esforçássemos para descrever sua percepção de cisne, ainda assim haveria um viés, pois nossa percepção é humana. Seria como pedir aos animais das cavernas, cegos após anos de evolução, para que nos explicássemos como são as cores do arco-íris.

Leia Mais