Lauro Kociuba e o épico do detalhe

O texto a seguir pode conter spoilers de: Estações de Caça: Haakon I. Depois não diga que eu não te avisei…

Estou bem feliz em escrever o post de hoje. Primeiro porque vamos falar de um livro que explora a mitologia nórdica, uma velha queridinha da minha estante. Segundo porque o autor é brasileiro e lançou sua primeira obra de maneira independente através de uma belíssima campanha de financiamento coletivo.

A vitória do paranaense Lauro Kociuba é uma vitória para todo o mercado literário brasileiro. Uma prova de que estamos finalmente vencendo as barreiras que limitavam as estantes, principalmente no gênero da fantasia, às produções inglesas e americanas. E a internet conta com um papel essencial neste processo. Plataformas de publicação gratuita, campanhas de crowdfunding e principalmente o boca a boca dos fóruns de discussão estão mostrando que autores de talento podem sim pertencer ao território nacional e, a bem da verdade, a qualquer lugar do mundo. (Ainda na semana passada li um artigo maravilhoso sobre como escritores nórdicos estão vencendo as dificuldades e estreando nas livrarias do Brasil)

Foi mais ou menos o que aconteceu com o Lauro, que em 2014 estava divulgando seu livro, Alvores: A Liga dos Artesãos, uma fantasia moderna ambientada na cidade de Curitiba. As interações através da plataforma Catarse renderam um público fiel e bastante engajado, crucial para a popularização da história. Assim como centenas de anos atrás, quando as histórias ainda eram contadas oralmente, o vínculo de empatia entre escritor/leitor ou orador/ouvinte sempre será uma força poderosa.

Autor e capa de Estações de Caça - Reprodução

Autor e capa de Estações de Caça. – Reprodução

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Previsões 2015 de Mark Coker sobre a Indústria Literária

Tudo começou quando Mark Coker e sua esposa resolveram escrever um livro. Após um ano de trabalho duro, a obra “Boob Tube” estava pronta para ser publicada. No entanto, apesar de receberem elogios, o casal obteve uma longa série de negativas por parte das editoras. O problema, segundo elas, estava no fato de o casal ser completamente desconhecido, e que por isso não seria possível prever a rentabilidade da obra. Quem iria comprar um livro de alguém que nunca ouviu falar?

Mark Coker. Fonte: http://www.forbes.com/sites/jjcolao/2012/06/07/apples-biggest-unknown-supplier-of-e-books/

Mark Coker. Fonte: http://www.forbes.com/sites/jjcolao/2012/06/07/apples-biggest-unknown-supplier-of-e-books/

Frustrado com sua experiência, Coker começou a trabalhar, em 2005, numa ideia inovadora. Queria retirar o estigma associado às publicações independentes. A maioria dos autores enxergava os ebooks feitos sem o auxílio de uma editora tradicional como uma alternativa para “escritores que não deram certo”. Mas Coker enxergou nesse cenário uma grande janela de oportunidade. Assim, em 2008, era lançada oficialmente a Smashwords, uma plataforma que publica e distribui ebooks de autores independentes.

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Literatura Gourmet?

Lembra quando surgiram os primeiros ebooks? Lembra quando o Kindle ficou popular? Ou quando você achou um PDF de graça daquele livro que estava precisando ler para um trabalho?

Todo mundo começou a anunciar que estávamos vivendo o fim dos livros de papel. Que as pessoas só queriam saber das redes sociais agora, e que não tinham mais tempo pra ler e nem espaço pra manter um livrão de 500 páginas em casa. Que livro de papel seria coisa de escola, biblioteca pública ou, no máximo, daqueles colecionadores excêntricos que gostam de sentir o cheiro de papel e tinta. Os livros iam perder a batalha contra os ebooks, e iam entrar em extinção.

Mas não é bem isso que está acontecendo…

"E ainda disseram que eu estava na pior..." Tumblr - Reprodução

“E ainda disseram que eu estava na pior…” Tumblr – Reprodução

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