Sobre livros gratuitos, pirataria e a ponta do iceberg

À exemplo do que fiz no post sobre como o Wattpad está influenciando a vida dos autores independentes, vou começar esse texto com uma declaração bem franca: não sou uma autora renomada e nem consigo pagar minhas contas vendendo histórias. Ainda.

(Note que esse “ainda” é puramente uma questão de otimismo. Na base da fé.)

Portanto, tudo o que eu disser a seguir é baseado somente em minhas vivências, percepções ou relatos que encontrei por essas estradas de meu Deus. Possivelmente estarei errada em alguns pontos, e certamente você tem o direito de discordar. Não há garantias de que essa estratégia funcione em todos os cenários, não tenho embasamento científico ou profissional para tanto. Mas acho que sempre vale a pena conhecer um ponto de vista, certo?

Fonte: usborne.com - Reprodução

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Narrativa em abismo: as histórias feitas de histórias

As narrativas em abismo são recursos muito populares, com os quais temos contato o tempo todo, nas mais variadas mídias. No entanto, são poucas as vezes em que de fato tomamos conhecimento de que esses abismos estão lá, nos envolvendo. Hoje nós vamos dissecar esse conceito, não só para que você saiba identificá-lo mas também para que possa usar essa poderosa ferramenta em suas próprias histórias.

Fonte: triciagosingtian.com - Reprodução

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O termo surgiu a partir do francês “mise en abyme, criado em 1893 pelo escritor André Gide, vencedor do Nobel de Literatura. Gide, na época, não falava especificamente de livros: a expressão fazia referência a qualquer “trabalho dentro de um trabalho”, qualquer mídia que trouxesse mídias de mesmo tipo aninhadas em sua estrutura.

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7 tropes de vilão para aprender (ou evitar)

Sabe quando você está lendo um livro ou assistindo um filme e de repente se dá conta de que já conhece aquela estrutura narrativa de algum lugar? Ou quando do nada aquele plano maligno começa a soar muito familiar, como se aquela história já tivesse acontecido? Pois é, as chances são altas de que você esteja diante de um trope.

Fonte: Disney Villains by Blackbat13, DeviantArt - Reprodução

Fonte: Disney Villains by Blackbat13, DeviantArt – Reprodução

Trope, um aportuguesamento da palavra homônima em inglês, são os “lugares-comuns” das histórias, elementos que aparecem com frequência em diversas mídias como ferramentas para movimentar o enredo, criar premissas ou até mesmo caracterizar personagens. Um trope pode ser desde um pequeno detalhe (como o “Power Walk”, quando todos os integrantes de um time, banda ou grupo de heróis qualquer caminham um ao do lado do outro, com os protagonistas no centro) até fórmulas complexas (como a clássica figura do Mentor, que ajuda o herói a alcançar seus objetivos enquanto busca a própria redenção).

É importante não confundir tropes com um clichês. Todo clichê é um trope, mas nem todo trope é um clichê. De fato, alguns tropes podem inclusive ajudar na criação de narrativas eficientes, e, cedo ou tarde, você também acabará utilizando algum deles. Mesmo que nem perceba.

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Dualidades além do bem e do mal

Já conversamos por aqui sobre a linha tênue que separa o bem e o mal, e sobre como a adição de tons de cinza aos personagens é um recurso que traz reflexões interessantes para um enredo. Eliminar a dicotomia entre mocinhos e bandidos ou entre o certo e o errado traz profundidade para a história, e também ajuda a prender a atenção dos leitores. Afinal, estamos oferecendo personagens mais realistas, com os quais é possível se identificar, com defeitos e virtudes, dúvidas e crenças pessoais.

Porém, um autor não precisa se prender à dualidade do bem e do mal para criar um embate filosófico que cative seu público. Existem diversas outras possibilidades a explorar, fugindo do lugar comum e, mais importante, trabalhando com um tema sobre o qual não existe consenso.

Fonte: http://sf.co.ua/ - Reprodução

Fonte: http://sf.co.ua/ – Reprodução

Embora isso também possa acontecer no caso do bem e do mal, normalmente existe um conjunto de conceitos morais mais bem delimitado para eles (assassinar um inocente, por exemplo, sempre é considerado uma atitude ruim), que tende a dividir os personagens entre mocinhos e antagonistas. A graça de brincar com uma dualidade diferente está justamente no fato de que não sabemos dizer com certeza qual dos lados tem razão. Podemos até mesmo jogar com discordâncias entre aliados, sem necessariamente precisar separá-los de time.

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