Fantasia não é só faz de conta

Ainda no hype da Antologia Valquírias, eu e a Marcia resolvemos disponibilizar uma série de materiais de estudo sobre escrita e também sobre o gênero fantástico, para ajudar as autoras da antologia na produção de seus contos. Afinal, para muitas das meninas este será o primeiro contato com a concepção de textos fantásticos.

Decidi criar este post para compartilhar um pouco da minha própria visão e experiência acerca do tema, tentando criar uma espécie de introdução, uma apresentação ao panorama geral da fantasia. Acabei separando 5 pontos para debate:

(Já disse que esse é meu gênero favorito desde criancinha?)

Fonte: Ilustrações de Emma Lazauski (emla.deviantart.com) - Reprodução

Fonte: Ilustrações de Emma Lazauski (emla.deviantart.com) – Reprodução

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Quando patriotismo literário atrapalha

A ficção fantástica, seja qual for sua vertente dentro do gênero fantasia, está finalmente conquistando espaço na literatura nacional: muitos autores estão despontando no mercado e promovendo uma justa concorrência com os livros importados. Influenciados pelo cenário favorável, Wattpad e outras plataformas de compartilhamento gratuito fervilham com escritores independentes e universos mágicos. Tudo bem que de vez em quando apareça um clichê aqui ou um tema batido acolá. Ainda estamos caminhando para que a ficção brasileira ganhe de fato voz. Porém, como pessoa criada metade do dia em Hogwarts e a outra metade na Terra Média, eu não poderia estar mais feliz.

Mas nem tudo são flores. Basta entrar no assunto da ambientação de enredos para sentir um mal estar generalizado. Autores nacionais são constantemente pressionados para que suas obras se passem no Brasil. Para que seus personagens sejam brasileiros. Valorizar o que é de casa. Mostrar ao mundo que não devemos nada a ninguém.

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Veja - Reprodução

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Revista Veja – Reprodução

A questão acaba se tornando um fardo gigantesco para o autor de ficção fantástica. Porque, embora o patriotismo literário tenha seus méritos, é algo que não funciona na fantasia. Vá por mim, simplesmente não funciona.

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Um steampunk pra ninguém botar defeito

Já tem um tempo que ando interessada no gênero steampunk (acho que desde a trilogia Fronteiras do Universo). Afinal, a temática entrelaça duas características que me atraem, romances vitorianos e engenhocas científicas. Pois eis que em minhas andanças acabei topando com a série O Protetorado da Sombrinha, da escritora americana Gail Carriger.

Se o título peculiar e o aviso “a série de steampunk mais cultuada do mundo” não já fossem motivo suficiente para chamar minha atenção, some o fato de que Gail Carriger, cujo verdadeiro nome é Tofa Borregaard, é arqueóloga e cita Dickens e Austen como suas principais influências. Tão logo surgiu a oportunidade, coloquei as mãos em “Alma?”, o primeiro volume da série de cinco livros. Acabei lendo em apenas um dia e não poderia ter ficado mais feliz.

Gail Carriger e capa do livro Fonte: gailcarriger.com - Reprodução

Gail Carriger e capa do livro Fonte: gailcarriger.com – Reprodução

(“Alma?” foi também meu primeiro contato com a editora Valentina, que merece ser parabenizada pela qualidade de impressão. Ponto extra pelo pequeno polvo impresso em cada uma das páginas.)

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Sobre o uso de pseudônimos

Já somos acostumados com a existência de pseudônimos no mundo literário. A prática, até bem comum, é utilizada de duas maneiras: tanto por autores em busca de um nome mais “comercial”, quanto por motivações um tanto quanto obscuras.

No primeiro caso, o pseudônimo funciona de maneira similar aos “nomes artísticos” de astros do cinema, sendo impactantes ou de sonoridade agradável. Porém, seu objetivo não é garantir o sigilo da identidade autoral. Os escritores continuam interagindo com os fãs normalmente, comparecendo a eventos e tirando fotos. Sabemos quem eles são. É o caso da autora Cora Stephan, que deciciu assinar como Anne Chaplet simplesmente por considerar que seu nome de batismo não transmitia o glamour necessário para os romances policiais.

No segundo grupo, o pseudônimo serve aos propósitos do anonimato. Cláusulas de sigilo são assinadas e existe toda uma logística para manter a pessoa por trás do livro em absoluto segredo ou, no máximo, difícil de deduzir à primeira vista. Desde que J. K. Rowling assumiu publicamente a identidade de Robert Galbraith, autor de O Chamado do Cuco e O Bicho-da-Seda, o debate sobre as razões que levam um escritor a esconder-se do público ressurgiu com força total. E é sobre elas que vamos falar.

Rowling e a capa de O Chamado do Cuco. Fonte: Deadline.com - Reprodução

Rowling e a capa de O Chamado do Cuco. Fonte: Deadline.com – Reprodução

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