Descrevendo personagens: bom senso e raras certezas

Nos primórdios da TV Globinho e similares, passava um desenho animado chamado Mickey e Donald em que por acaso também apareciam aventuras do Pateta (muitas coisas não faziam sentido naquela época…). Nesses episódios, Pateta tentava aprender alguma atividade nova através das instruções de um narrador, numa espécie de tutorial. E o Pateta sempre se embananava todo enquanto era soterrado por uma quantidade cada vez mais rápida de palavras técnicas e fórmulas que ele não fazia ideia de como equilibrar e que culminavam num resultado desastroso.

Sempre que vou criar um artigo técnico aqui no TBS, essa cena aparece na minha cabeça. Escrever é uma arte conceitualmente simples e também infinitamente complicada. Basta colocar uma palavra após a outra no papel, mas são mil e uma variáveis a considerar, listas de boas práticas, conselhos de ouro e, pior de tudo, um universo de regras que deverão ser quebradas em algum momento. Mas que momento? E como equilibrar construção de mundo, ritmo, premissas, profundidade dos personagens, estilo, gênero, ponto de vista e tudo mais?

Fonte: YAlicious – Reprodução

É inevitável estudar sobre escrita e não se sentir o Pateta de vez em quando.

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Precisamos conversar sobre Vaelin Al Sorna

*Suas definições de homão da porra foram atualizadas*

Tudo começou inocentemente na CCXP Tour Nordeste, quando o Vagner do Desbravando Livros me recomendou a série A Sombra do Corvo. Tive certa resistência no início. A Canção do Sangue, primeiro volume da trilogia, não seria um livro que eu escolheria logo de cara. Sabe como é… outra série, outra aventura de capa e espada, outro sistema de magia, outro protagonista invencível… será que valia a pena um comprometimento desse tamanho?

Fonte: Detalhe da capa – Reprodução

Decidi topar o desafio. O Vagner tem um gosto literário oriundo das paredes de escudos cornwellianas, idôneo o suficiente pra gente dar um voto de confiança. Além disso, o autor é escocês e eu tenho um carinho irracional pelo país ainda que nunca tenha pisado naquelas terras (culpa da Diana Gabaldon e de várias outras autoras de romance de época).

Pra encurtar a história, eu comecei a ler o livro. E aí Vaelin Al Sorna aconteceu na minha vida. E aí eu tive que vir aqui pra iniciar outra série de textões.

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Sobre por que as bruxas de Terry Pratchett são tão incríveis

Tenho uma estratégia para nortear minhas leituras durante o NaNoWriMo desse ano: preciso ler meus autores favoritos para que suas vozes narrativas me inspirem.

Parece besteira, mas quando lemos uma história e partimos para a escrita, muita das características daquele autor são passadas para nós, seus maneirismos e construções sintáticas. Diferente do plágio,  este é um processo subconsciente e completamente natural, como quando você passa certo tempo vivendo em outro lugar e acaba adquirindo um pouquinho do sotaque e das gírias da região. Então, decidi ir direto ao ponto e garantir que tipo de sotaque eu desejo aplicar à minha história.

Terry Pratchett foi uma escolha imediata. Além deste senhor de cartola figurar em destaque entre meus escritores favoritos da vida, ele também é muito bom com textos de humor e com textos sobre bruxas: exatamente as duas coisas que resolvi abordar esse ano.

Suas lindas! Fonte: geekadelphia.com - Reprodução.

Suas lindas! Fonte: geekadelphia.com – Reprodução.

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Here be Dragons – vamos falar sobre dragões

Desde que li o segundo livro da série Temeraire, da Naomi Novik, tenho andado às voltas com um tópico bem querido para os leitores de fantasia: dragões. Um assunto que só fez crescer com a chegada de mais uma temporada de Game of Thrones.

Fonte: mikeazevedo.deviantart.com - Reprodução

Fonte: mikeazevedo.deviantart.com – Reprodução

Pensava eu: quase todas as culturas, em algum ponto de sua História, chegaram ao conceito do dragão. Um conceito que converge. É como se o dragão fosse uma das mais antigas e proeminentes criaturas folclóricas de todos os tempos, encontrada nas bandeiras chinesas, nas armaduras medievais, nos escudos vikings, nos símbolos de realeza do Vietnã. E ao mesmo tempo, se é tão difundido, como poderia ser uma figura tão flexível?

Se pensarmos em outros seres fantásticos, veremos que sua caracterização é bem delimitada. Um unicórnio sempre será, de modo geral, um equino com um chifre único, costumeiramente branco. Um vampiro (mesmo os que brilham no Sol e nos matam de vergonha) sempre será um ser que se alimenta de sangue. Embora existam variações, a criatura mantém certos traços.

Mas e o dragão? O que faz de um dragão…um dragão?

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