E essa nossa mania de shippar

Vamos lá, admita: quem aqui nunca torceu loucamente para um casal de personagens finalmente se acertar? Eu sei, eu sei, parece meio bobo. Mas cá entre nós, a verdade é que praticamente todo mundo já foi torturado por algum autor, esse ser incapaz de juntar aquele par romântico que faz o maior sentido dentro da sua cabeça. No final das contas, somos todos shippers.

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

A “arte do ship” surgiu como uma variação da palavra inglesa relationship (relacionamento), denominando o ato de torcer por um casal. Acredita-se que o termo tenha sido utilizado pela primeira vez entre os fãs da série Arquivo X. Registros de 1996 apontam que a palavra já era utilizada para caracterizar os telespectadores que enxergavam envolvimento romântico entre os agentes Fox Mulder e Dana Scully. Os dois personagens formariam, então, um ship.

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6 dicas sobre cavalos que todo autor deveria saber

Apesar de ocuparem costumeiramente os papéis secundários, cavalos são uma peça fundamental na composição de épicos e romances históricos. É difícil não sentir arrepios ao ler uma boa cena de cavalgada, ou não se emocionar quando o protagonista foge à galope noite adentro, a chuva e o vento rugindo ao longo do caminho.

De fato, cavalos adicionam uma enorme carga de dramaticidade à narrativa: são animais que definem o próprio sentido do épico. Muito além disso, podem também servir como ótimos recursos para explorar a psicologia humana de forma indireta, como uma extensão emocional dos personagens. É o caso, por exemplo, de Rocinante em Dom Quixote e das muitas montarias atribuídas a Mr. Darcy ao longo das releituras de Orgulho e Preconceito (você pode ver todas elas clicando aqui). Através da interação cavalo-cavaleiro, várias nuances podem ser reveladas sem que o narrador precise explicitá-las.

Fonte: frame do filme Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei - Reprodução

Fonte: frame do filme Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei – Reprodução

Não são poucos os autores que utilizam cavalos em suas obras. Até porque, os animais estão presentes em diversas lendas e mitologias. Li certa vez que apesar do cachorro ser considerado o melhor amigo do homem, é através das patas do cavalo que o ser humano escreveu sua história. Nas caçadas, nas guerras, na agricultura. E provavelmente nenhuma espécie não-humana possui tantos personagens célebres. De Sleipnir, o cavalo de oito patas montado por Odin até o pequeno pônei Bill, do Senhor dos Anéis, você provavelmente conseguirá lembrar de pelo menos uma dúzia de equinos famosos sem fazer muito esforço.

No entanto, assim como no caso dos personagens arqueiros, escrever sobre cavalos requer uma boa dose de conhecimento e vivência, e muitos escritores acabam derrapando no assunto.

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Deus ex machina

A expressão Deus ex machina pode soar desconhecida para muita gente. Mas seu significado, por outro lado, é velho conhecido dos leitores. E é bem possível que você já tenha sentido certo incômodo em encontrá-lo dentro de alguma história.

Deus ex machina é um termo latino de origem grega que significa, literalmente, “Deus surgido na máquina”. Ele designa um recurso utilizado por autores para resolver enredos ficcionais por meio de uma solução improvável, geralmente através do surgimento de um personagem, artefato ou evento bem aos quarenta e cinco do segundo tempo. É aquele desfecho que fica com gostinho de pura sorte.

Pra deixar a coisa toda ainda mais inverossímil, muitos desses personagens/objetos milagrosos são elementos que nunca foram mencionados anteriormente na narrativa. Ou pelo menos, nunca receberam muita luz dos holofotes, ficando escondidos sob o pano de fundo até o clímax da ação.

DGA557603 Athena revealing Ithaca to Ulysses, by Giuseppe Bottani (1717-1784), oil on canvas, 47x72 cm; (add.info.: Athena revealing Ithaca to Ulysses, by Giuseppe Bottani (1717-1784), oil on canvas, 47x72 cm. Artwork-location: Pavia, Musei Civici Del Castello Visconteo, Pinacoteca Malaspina (Art Gallery)); De Agostini Picture Library / A. Dagli Orti; FRENCH PUBLISHING RIGHTS NOT AVAILABLE;  out of copyright

Atena e Ulisses, um ótimo exemplo de Deus ex machina – Fonte: commons.wikimedia.org – Reprodução

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Procrastinação e criptomnésia literária

As coincidências da vida são muito engraçadas. Na mesma semana em que só faltei arrancar os cabelos para produzir um texto com prazo definido, e por isso também tive de atrasar bastante as postagens por aqui, acabei me deparando com dois artigos excelentes sobre procrastinação e criptomnésia no mundo literário (leia aqui e aqui). Quer assunto melhor pro post de hoje?

Mas primeiro, vamos por partes. Começando pela procrastinação. Taí o George Martin que não me deixa mentir: a procrastinação na hora de produzir conteúdo deve atingir uns 9 a cada 10 escritores. E isso em qualquer formato literário: dos quadrinhos às monografias de faculdade, dos romances de banca aos roteiros de cinema. A pura visão de uma página em branco parece exercer tamanha aversão que cria uma vontade inexplicável de fazer qualquer coisa bem distante da tarefa de escrever, mesmo que essa coisa não tenha relevância alguma para nossas vidas. Sabe quando você senta na mesa para escrever algo, mas descobre que só poderá se concentrar depois de arrumar toda a sua bancada, fazer um lanche, levar o cachorro pra passear e reordenar suas músicas no iTunes? E mesmo quando você se força a começar, fica parando a cada cinco minutos pra dar uma olhada no Facebook? Pois é, isso é procrastinar… E você definitivamente não está sozinho.

"Não existem limites para o que você pode realizar quando você supostamente deveria estar fazendo outra coisa" Fonte: someecards.com - Reprodução

“Não existem limites para o que você pode realizar quando supostamente deveria estar fazendo outra coisa.” Fonte: someecards.com – Reprodução

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