Dualidades além do bem e do mal

Já conversamos por aqui sobre a linha tênue que separa o bem e o mal, e sobre como a adição de tons de cinza aos personagens é um recurso que traz reflexões interessantes para um enredo. Eliminar a dicotomia entre mocinhos e bandidos ou entre o certo e o errado traz profundidade para a história, e também ajuda a prender a atenção dos leitores. Afinal, estamos oferecendo personagens mais realistas, com os quais é possível se identificar, com defeitos e virtudes, dúvidas e crenças pessoais.

Porém, um autor não precisa se prender à dualidade do bem e do mal para criar um embate filosófico que cative seu público. Existem diversas outras possibilidades a explorar, fugindo do lugar comum e, mais importante, trabalhando com um tema sobre o qual não existe consenso.

Fonte: http://sf.co.ua/ - Reprodução

Fonte: http://sf.co.ua/ – Reprodução

Embora isso também possa acontecer no caso do bem e do mal, normalmente existe um conjunto de conceitos morais mais bem delimitado para eles (assassinar um inocente, por exemplo, sempre é considerado uma atitude ruim), que tende a dividir os personagens entre mocinhos e antagonistas. A graça de brincar com uma dualidade diferente está justamente no fato de que não sabemos dizer com certeza qual dos lados tem razão. Podemos até mesmo jogar com discordâncias entre aliados, sem necessariamente precisar separá-los de time.

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Ambientação: por que a roupa importa?

Que ambientação é peça chave pra escrever uma boa história, todo mundo já sabe. Os elementos que circundam o enredo são importantes para dar tom à narrativa e delimitar a personalidade de personagens. É o que chamamos de contexto: tudo aquilo que caracteriza a situação da história e serve como informação indireta para o leitor.  Sem contexto, fica difícil criar imersão, fazer com que o público visualize a história como algo real e palpável.

E embora dez a cada dez escritores se preocupem com a ambientação em sua forma mais óbvia (onde a história acontece, em que período histórico, como está o clima…), são poucos os que levam em consideração o poder narrativo de uma ambientação focada nos detalhes. Linguagem corporal, a temperatura de um café, a música de fundo, um bichinho de estimação: tudo pode servir como ferramenta para transmitir informações ao leitor de maneira implícita. E um recurso valioso, porém pouquíssimo explorado, é o tal do figurino.

Quem não lembra do filme Miss Simpatia? Fonte: lipsticksandlabels.wordpress.com - Reprodução

Quem não lembra do filme Miss Simpatia? Fonte: lipsticksandlabels.wordpress.com – Reprodução

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Quando patriotismo literário atrapalha

A ficção fantástica, seja qual for sua vertente dentro do gênero fantasia, está finalmente conquistando espaço na literatura nacional: muitos autores estão despontando no mercado e promovendo uma justa concorrência com os livros importados. Influenciados pelo cenário favorável, Wattpad e outras plataformas de compartilhamento gratuito fervilham com escritores independentes e universos mágicos. Tudo bem que de vez em quando apareça um clichê aqui ou um tema batido acolá. Ainda estamos caminhando para que a ficção brasileira ganhe de fato voz. Porém, como pessoa criada metade do dia em Hogwarts e a outra metade na Terra Média, eu não poderia estar mais feliz.

Mas nem tudo são flores. Basta entrar no assunto da ambientação de enredos para sentir um mal estar generalizado. Autores nacionais são constantemente pressionados para que suas obras se passem no Brasil. Para que seus personagens sejam brasileiros. Valorizar o que é de casa. Mostrar ao mundo que não devemos nada a ninguém.

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Veja - Reprodução

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Revista Veja – Reprodução

A questão acaba se tornando um fardo gigantesco para o autor de ficção fantástica. Porque, embora o patriotismo literário tenha seus méritos, é algo que não funciona na fantasia. Vá por mim, simplesmente não funciona.

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E essa nossa mania de shippar

Vamos lá, admita: quem aqui nunca torceu loucamente para um casal de personagens finalmente se acertar? Eu sei, eu sei, parece meio bobo. Mas cá entre nós, a verdade é que praticamente todo mundo já foi torturado por algum autor, esse ser incapaz de juntar aquele par romântico que faz o maior sentido dentro da sua cabeça. No final das contas, somos todos shippers.

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

A “arte do ship” surgiu como uma variação da palavra inglesa relationship (relacionamento), denominando o ato de torcer por um casal. Acredita-se que o termo tenha sido utilizado pela primeira vez entre os fãs da série Arquivo X. Registros de 1996 apontam que a palavra já era utilizada para caracterizar os telespectadores que enxergavam envolvimento romântico entre os agentes Fox Mulder e Dana Scully. Os dois personagens formariam, então, um ship.

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