Ambientação: por que a roupa importa?

Que ambientação é peça chave pra escrever uma boa história, todo mundo já sabe. Os elementos que circundam o enredo são importantes para dar tom à narrativa e delimitar a personalidade de personagens. É o que chamamos de contexto: tudo aquilo que caracteriza a situação da história e serve como informação indireta para o leitor.  Sem contexto, fica difícil criar imersão, fazer com que o público visualize a história como algo real e palpável.

E embora dez a cada dez escritores se preocupem com a ambientação em sua forma mais óbvia (onde a história acontece, em que período histórico, como está o clima…), são poucos os que levam em consideração o poder narrativo de uma ambientação focada nos detalhes. Linguagem corporal, a temperatura de um café, a música de fundo, um bichinho de estimação: tudo pode servir como ferramenta para transmitir informações ao leitor de maneira implícita. E um recurso valioso, porém pouquíssimo explorado, é o tal do figurino.

Quem não lembra do filme Miss Simpatia? Fonte: lipsticksandlabels.wordpress.com - Reprodução

Quem não lembra do filme Miss Simpatia? Fonte: lipsticksandlabels.wordpress.com – Reprodução

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Quando patriotismo literário atrapalha

A ficção fantástica, seja qual for sua vertente dentro do gênero fantasia, está finalmente conquistando espaço na literatura nacional: muitos autores estão despontando no mercado e promovendo uma justa concorrência com os livros importados. Influenciados pelo cenário favorável, Wattpad e outras plataformas de compartilhamento gratuito fervilham com escritores independentes e universos mágicos. Tudo bem que de vez em quando apareça um clichê aqui ou um tema batido acolá. Ainda estamos caminhando para que a ficção brasileira ganhe de fato voz. Porém, como pessoa criada metade do dia em Hogwarts e a outra metade na Terra Média, eu não poderia estar mais feliz.

Mas nem tudo são flores. Basta entrar no assunto da ambientação de enredos para sentir um mal estar generalizado. Autores nacionais são constantemente pressionados para que suas obras se passem no Brasil. Para que seus personagens sejam brasileiros. Valorizar o que é de casa. Mostrar ao mundo que não devemos nada a ninguém.

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Veja - Reprodução

O saudoso Clóvis representando o dilema do escritor de fantasia. Fonte: Revista Veja – Reprodução

A questão acaba se tornando um fardo gigantesco para o autor de ficção fantástica. Porque, embora o patriotismo literário tenha seus méritos, é algo que não funciona na fantasia. Vá por mim, simplesmente não funciona.

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E essa nossa mania de shippar

Vamos lá, admita: quem aqui nunca torceu loucamente para um casal de personagens finalmente se acertar? Eu sei, eu sei, parece meio bobo. Mas cá entre nós, a verdade é que praticamente todo mundo já foi torturado por algum autor, esse ser incapaz de juntar aquele par romântico que faz o maior sentido dentro da sua cabeça. No final das contas, somos todos shippers.

Fonte: Tumblr - Reprodução

Fonte: Tumblr – Reprodução

A “arte do ship” surgiu como uma variação da palavra inglesa relationship (relacionamento), denominando o ato de torcer por um casal. Acredita-se que o termo tenha sido utilizado pela primeira vez entre os fãs da série Arquivo X. Registros de 1996 apontam que a palavra já era utilizada para caracterizar os telespectadores que enxergavam envolvimento romântico entre os agentes Fox Mulder e Dana Scully. Os dois personagens formariam, então, um ship.

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6 dicas sobre cavalos que todo autor deveria saber

Apesar de ocuparem costumeiramente os papéis secundários, cavalos são uma peça fundamental na composição de épicos e romances históricos. É difícil não sentir arrepios ao ler uma boa cena de cavalgada, ou não se emocionar quando o protagonista foge à galope noite adentro, a chuva e o vento rugindo ao longo do caminho.

De fato, cavalos adicionam uma enorme carga de dramaticidade à narrativa: são animais que definem o próprio sentido do épico. Muito além disso, podem também servir como ótimos recursos para explorar a psicologia humana de forma indireta, como uma extensão emocional dos personagens. É o caso, por exemplo, de Rocinante em Dom Quixote e das muitas montarias atribuídas a Mr. Darcy ao longo das releituras de Orgulho e Preconceito (você pode ver todas elas clicando aqui). Através da interação cavalo-cavaleiro, várias nuances podem ser reveladas sem que o narrador precise explicitá-las.

Fonte: frame do filme Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei - Reprodução

Fonte: frame do filme Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei – Reprodução

Não são poucos os autores que utilizam cavalos em suas obras. Até porque, os animais estão presentes em diversas lendas e mitologias. Li certa vez que apesar do cachorro ser considerado o melhor amigo do homem, é através das patas do cavalo que o ser humano escreveu sua história. Nas caçadas, nas guerras, na agricultura. E provavelmente nenhuma espécie não-humana possui tantos personagens célebres. De Sleipnir, o cavalo de oito patas montado por Odin até o pequeno pônei Bill, do Senhor dos Anéis, você provavelmente conseguirá lembrar de pelo menos uma dúzia de equinos famosos sem fazer muito esforço.

No entanto, assim como no caso dos personagens arqueiros, escrever sobre cavalos requer uma boa dose de conhecimento e vivência, e muitos escritores acabam derrapando no assunto.

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