O que aconteceu com Eragon?

O texto a seguir pode conter spoilers de: Eragon. Depois não diga que eu não te avisei…

Andei lendo Eragon, do Christopher Paolini, primeiro livro da série A Herança. Ok, sabemos que ele não é assim uma obra-prima da fantasia épica pra competir de igual para igual com Tolkien, Martin ou Pullman. É aquele livro pra relaxar num final de semana de preguiça no sofá, dar umas risadas e ser feliz porque você adora dragões (e quem não gosta?). E para esse propósito, a história serve bem.

No entanto, Eragon nunca alcançou o destaque que se esperava dele, o que sempre me intrigou.

Fonte: https://frankiecarroll.wordpress.com/2014/06/28/my-first-post-is-about-eragon/ - Reprodução

Fonte: https://frankiecarroll.wordpress.com/2014/06/28/my-first-post-is-about-eragon/ – Reprodução

Calma, calma. Sei que ele realmente vende bem e que seus fãs são numerosos. Mas não consigo enxergar o mesmo hype que tivemos com Game of Thrones ou até mesmo o que estamos vendo surgir com A Crônica do Matador do Rei, de Patrick Rothfuss. A adaptação cinematográfica dispensa comentários: fracasso de crítica, nunca teve continuação.  Apesar do livro ser constantemente lembrado e já ser considerado um clássico da fantasia, permanece sempre confinado na seção “infanto-juvenil”. Um épico sem grande pretensão.

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A maldição do primeiro capítulo

Não importa se você está escrevendo um livro, uma crônica, uma redação ou aquele cartão de Natal pros parentes. A pior cena de horror para qualquer escritor é sempre a mesma: a maldita tela em branco. O cursor piscando sem parar no cantinho da folha, desafiando sua capacidade de começar.

Você se prepara, limpa a mesa, alonga os braços, bebe um copinho d’água e digita a primeira palavra. Não, melhor apagar. Depois de pensar por uns cinco minutos, resolve finalmente escrever uma frase completa. Mas não sei, essa frase não tem o impacto que você estava procurando… Melhor apagar também. Pelo visto, apesar de a história estar toda na sua cabeça, aquilo que irá tirar seu sono será mesmo o parágrafo inicial.

E o cursor continua ali piscando, rindo da sua cara.

Maldito! - Fonte: http://www.functionx.com/word/Lesson03.htm - Reprodução

Maldito! – Fonte: http://www.functionx.com/word/Lesson03.htm – Reprodução

Mas afinal, porque é tão difícil vencer a maldição do primeiro capítulo? E porque as palavras que iniciam uma história são tão importantes?

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Nada se cria, tudo se copia

Quem já teve que assistir alguma aula sobre Literatura, sabe que tudo nessa vida são fases. Barroco, Romantismo, Realismo, Arcadismo… parece que de uma hora pra outra as referências convergem e todo mundo passa a escrever parecido.

E é claro que as fases não se restringiram aos livros de História. Elas existem até hoje, regidas pelos acontecimentos históricos e uma espécie de “consciência coletiva”, que nos influencia subconscientemente.

Porém, toda vez que cumpro o ritual semanal de esgotar os anúncios online das livrarias (à procura do livro ideal na promoção mais ideal ainda), sinto que as coisas estão indo um pouco além. O crescimento do interesse pelos livros, que é um fenômeno maravilhoso, capaz de gerar autores-celebridade-milionários, também está criando uma triste cultura do lucro a qualquer custo.

Parece que, quando algum livro inovador alcança seu lugarzinho ao sol, as editoras começam uma guerra para ver quem será a próxima a se aproveitar do lucrativo novo filão do mercado. As obras estão cada vez menos “inspiradas em” ou “referenciadas por” e se tornando apenas “mais do mesmo”.

Giphy.com - Reprodução

Giphy.com – Reprodução

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