Sobre onomatopeias, Tolkien e os estereótipos da linguagem

Às vezes eu preciso pesquisar bastante para encontrar um tema. Mas às vezes, é o tema que vem me encontrar, insistente e repetitivo, aparecendo em diferentes situações da minha vida. Demorei para falar sobre estereótipos de linguagem, principalmente pela densidade do tópico. Mas acho que tá na hora: esse assunto já está me assombrando faz tempo.

Fonte: Warner Bros – Reprodução

Tudo começou com um artigo do The Washington Post, intitulado “Porque porcos franceses falam ‘groin’, abelhas japonesas falam ‘boon’ e sapos americanos falam ‘ribbit‘”.

O título inusitado esconde a profundidade do texto. Nele, a jornalista Karin Brulliard comenta sobre as onomatopeias utilizadas por seus filhos para descrever os sons de diferentes animais. Criadas em uma casa bilíngue (Karin e seu marido possuem nacionalidades distintas), as crianças conhecem ao menos duas versões de onomatopeias para descrever cada um dos bichinhos. Se Karin ensina aos filhos que um porquinho faz ‘oink’, seu marido francês prontamente as ensinará que um bom porco, na verdade, faz ‘groin’.

Essa é uma questão que linguistas e sociólogos estão apenas começando a desvendar. Porque as onomatopeias variam tanto a depender da língua que está sendo falada? Afinal, a lógica deveria ser simples. Não estamos nomeando algo, utilizando radicais, prefixos e sufixos para dar nome ao que depois viria a ser uma águia careca ou um tigre-de-dentes-de-sabre. Estamos apenas tentando reproduzir, com nossas cordas vocais, um som que ouvimos. E, convenhamos, um cavalo sempre soará como um cavalo, seja aqui ou na França.

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Here be Dragons – vamos falar sobre dragões

Desde que li o segundo livro da série Temeraire, da Naomi Novik, tenho andado às voltas com um tópico bem querido para os leitores de fantasia: dragões. Um assunto que só fez crescer com a chegada de mais uma temporada de Game of Thrones.

Fonte: mikeazevedo.deviantart.com - Reprodução

Fonte: mikeazevedo.deviantart.com – Reprodução

Pensava eu: quase todas as culturas, em algum ponto de sua História, chegaram ao conceito do dragão. Um conceito que converge. É como se o dragão fosse uma das mais antigas e proeminentes criaturas folclóricas de todos os tempos, encontrada nas bandeiras chinesas, nas armaduras medievais, nos escudos vikings, nos símbolos de realeza do Vietnã. E ao mesmo tempo, se é tão difundido, como poderia ser uma figura tão flexível?

Se pensarmos em outros seres fantásticos, veremos que sua caracterização é bem delimitada. Um unicórnio sempre será, de modo geral, um equino com um chifre único, costumeiramente branco. Um vampiro (mesmo os que brilham no Sol e nos matam de vergonha) sempre será um ser que se alimenta de sangue. Embora existam variações, a criatura mantém certos traços.

Mas e o dragão? O que faz de um dragão…um dragão?

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Deus ex machina

A expressão Deus ex machina pode soar desconhecida para muita gente. Mas seu significado, por outro lado, é velho conhecido dos leitores. E é bem possível que você já tenha sentido certo incômodo em encontrá-lo dentro de alguma história.

Deus ex machina é um termo latino de origem grega que significa, literalmente, “Deus surgido na máquina”. Ele designa um recurso utilizado por autores para resolver enredos ficcionais por meio de uma solução improvável, geralmente através do surgimento de um personagem, artefato ou evento bem aos quarenta e cinco do segundo tempo. É aquele desfecho que fica com gostinho de pura sorte.

Pra deixar a coisa toda ainda mais inverossímil, muitos desses personagens/objetos milagrosos são elementos que nunca foram mencionados anteriormente na narrativa. Ou pelo menos, nunca receberam muita luz dos holofotes, ficando escondidos sob o pano de fundo até o clímax da ação.

DGA557603 Athena revealing Ithaca to Ulysses, by Giuseppe Bottani (1717-1784), oil on canvas, 47x72 cm; (add.info.: Athena revealing Ithaca to Ulysses, by Giuseppe Bottani (1717-1784), oil on canvas, 47x72 cm. Artwork-location: Pavia, Musei Civici Del Castello Visconteo, Pinacoteca Malaspina (Art Gallery)); De Agostini Picture Library / A. Dagli Orti; FRENCH PUBLISHING RIGHTS NOT AVAILABLE;  out of copyright

Atena e Ulisses, um ótimo exemplo de Deus ex machina – Fonte: commons.wikimedia.org – Reprodução

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Um pouco sobre Edith Tolkien

Muito se sabe sobre a obra de Tolkien, a mitologia da Terra Média é incansavelmente debatida todos os dias pelos milhares de fãs ao redor do planeta. Mas nem todos conhecem a fundo a vida e personalidade do aclamado autor. E menos ainda são os que conhecem a trajetória de sua esposa, Edith Tolkien.

Edith - Fonte: http://www.deeprootsathome.com/j-r-r-tolkien-more-than-meets-the-eye/ - Reprodução

Edith – Fonte: http://www.deeprootsathome.com/j-r-r-tolkien-more-than-meets-the-eye/ – Reprodução

Tive oportunidade de ler recentemente “J. R. R. Tolkien – O Senhor da Fantasia”, biografia escrita por Michael White e publicada em capa dura aqui no Brasil pela DarkSide (e por falar nisso, meus sinceros parabéns pelo cuidado com a edição). Devo confessar que esse livro partiu meu coração ao mesmo tempo em que reforçou minha admiração por Tolkien.

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