Quis desistir no prefácio, mas Malazan é mesmo tudo isso que prometem

O texto a seguir não contém spoilers propriamente ditos. Mas tá cheio de referências a nomes de personagens, lugares e situações. Se você não se sentir mal com isso, pode seguir sem problema algum. Se não, vai ler Jardins da Lua e volta aqui pra gente conversar! :)

Fonte: Reddit – Reprodução

Hype. Muito hype. Uma expectativa enorme cercava a publicação de Jardins da Lua no Brasil. E, apesar de acompanhar ativamente as acaloradas e passionais discussões que rolavam sobre o livro nos grupos de leitores de fantasia, eu não me sentia assim tão tentada a lê-lo.

Acho que a aura criada em torno da obra, alimentada pelos fãs mais antigos e pela própria editora, funcionou como duas faces de uma mesma moeda (captaram essa?). Veja bem, Malazan é vendida como uma série difícil. Uma série que exige atenção e comprometimento. E é também vendida como uma das maravilhas da ficção fantástica.

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Precisamos voltar a conversar sobre Vaelin Al Sorna

* Bora falar de coisa boa? Bora falar de Vaelin Al Sorna *

Fonte: desbravandolivros.blogspot.com.br – Reprodução

Antes de começar, disclaimer: você sabe que isso aqui vai estar cheio de spoilers sobre O Senhor da Torre, né? Ótimo, fico mais tranquila.

Minha jornada começou com o segundo livro da trilogia A Sombra do Corvo numa mão e um punhado de dúvidas na outra: eu sabia que a condução da narrativa seria bem diferente neste volume. Anthony Ryan expandiria seu universo e, ao invés de acompanharmos as peripécias do nosso mocinho favorito, teríamos agora os pontos de vista de mais três personagens.

Essa decisão continua um tanto esquisita. Sou totalmente a favor de múltiplos pontos de vista, algo que traz robustez e profundidade ao enredo, mas acho que esse tipo de expectativa deve ser criada desde o primeiro livro. Nem que fosse com pequenos capítulos de transição sob o ponto de vista da Lyrna, ou mesmo um prólogo. SEI LÁ. Mas algo que chegasse no meu ouvido e falasse “ei, essa não é a história só do Vaelin, tá bem?”.

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Descrevendo personagens: bom senso e raras certezas

Nos primórdios da TV Globinho e similares, passava um desenho animado chamado Mickey e Donald em que por acaso também apareciam aventuras do Pateta (muitas coisas não faziam sentido naquela época…). Nesses episódios, Pateta tentava aprender alguma atividade nova através das instruções de um narrador, numa espécie de tutorial. E o Pateta sempre se embananava todo enquanto era soterrado por uma quantidade cada vez mais rápida de palavras técnicas e fórmulas que ele não fazia ideia de como equilibrar e que culminavam num resultado desastroso.

Sempre que vou criar um artigo técnico aqui no TBS, essa cena aparece na minha cabeça. Escrever é uma arte conceitualmente simples e também infinitamente complicada. Basta colocar uma palavra após a outra no papel, mas são mil e uma variáveis a considerar, listas de boas práticas, conselhos de ouro e, pior de tudo, um universo de regras que deverão ser quebradas em algum momento. Mas que momento? E como equilibrar construção de mundo, ritmo, premissas, profundidade dos personagens, estilo, gênero, ponto de vista e tudo mais?

Fonte: YAlicious – Reprodução

É inevitável estudar sobre escrita e não se sentir o Pateta de vez em quando.

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Só os Animais Salvam: a incapacidade de definir o que é ser humano

Dia desses, li o texto de um professor astrofísico da Universidade de Princeton, afirmando que o Universo é vasto demais para a criatividade da ficção científica. O que ele quis dizer é que, além de não conhecermos a totalidade do cosmos que nos cerca, somos igualmente limitados por nossa própria humanidade.

Fonte: DarkSide – Reprodução

Qualquer raça alienígena que imaginemos, qualquer sociedade ou sistema de governo ainda terá raízes em nossa própria experiência, em nosso paradigma sobre o que é, para começo de conversa, uma raça. Nossos aliens podem até ter duas cabeças ou cinquenta olhos, mas quando tratamos de seu interior, de seus desejos, temores e aspirações, temos personagens basicamente humanos. A ficção em geral trata sobre empatia, sobre como gerar compreensão entre personagens e leitores, sobre como criar essa ponte e então aproximá-los. Ainda que estejamos lendo sobre um filhote de cisne que pensa que é um pato, a vergonha do cisne por sua feiura é algo inerentemente humano. Por mais que nos esforçássemos para descrever sua percepção de cisne, ainda assim haveria um viés, pois nossa percepção é humana. Seria como pedir aos animais das cavernas, cegos após anos de evolução, para que nos explicássemos como são as cores do arco-íris.

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