A sensibilidade discreta de Reescrevendo Sonhos

Quando peguei o exemplar de Reescrevendo Sonhos nas mãos, senti um friozinho na barriga.

Primeiro porque a Marcia Dantas, autora da obra, é uma amiga querida, o que me permitiu acompanhar todo o processo de lançamento do livro e torcer por seu sucesso. E é claro que isso cria uma responsabilidade extra na hora de fazer a resenha: é preciso deixar o coração de lado e vestir o manto sagrado da sinceridade. Mas não só isso.

Fonte: Detalhe da capa – Reprodução

Para uma pessoa que praticamente só lê fantasia, romance de época e aventura, uma história cotidiana como Reescrevendo Sonhos é um desafio. Como assim não tem mágica? Não tem sangue? Não tem anáguas? Não tem duendes azuis que se escondem no celeiro?

Só que, para a minha eterna surpresa, é justamente esse clima de normalidade, de cotidiano e de rotina que torna Reescrevendo Sonhos um livro tão peculiar.

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Sobre onomatopeias, Tolkien e os estereótipos da linguagem

Às vezes eu preciso pesquisar bastante para encontrar um tema. Mas às vezes, é o tema que vem me encontrar, insistente e repetitivo, aparecendo em diferentes situações da minha vida. Demorei para falar sobre estereótipos de linguagem, principalmente pela densidade do tópico. Mas acho que tá na hora: esse assunto já está me assombrando faz tempo.

Fonte: Warner Bros – Reprodução

Tudo começou com um artigo do The Washington Post, intitulado “Porque porcos franceses falam ‘groin’, abelhas japonesas falam ‘boon’ e sapos americanos falam ‘ribbit‘”.

O título inusitado esconde a profundidade do texto. Nele, a jornalista Karin Brulliard comenta sobre as onomatopeias utilizadas por seus filhos para descrever os sons de diferentes animais. Criadas em uma casa bilíngue (Karin e seu marido possuem nacionalidades distintas), as crianças conhecem ao menos duas versões de onomatopeias para descrever cada um dos bichinhos. Se Karin ensina aos filhos que um porquinho faz ‘oink’, seu marido francês prontamente as ensinará que um bom porco, na verdade, faz ‘groin’.

Essa é uma questão que linguistas e sociólogos estão apenas começando a desvendar. Porque as onomatopeias variam tanto a depender da língua que está sendo falada? Afinal, a lógica deveria ser simples. Não estamos nomeando algo, utilizando radicais, prefixos e sufixos para dar nome ao que depois viria a ser uma águia careca ou um tigre-de-dentes-de-sabre. Estamos apenas tentando reproduzir, com nossas cordas vocais, um som que ouvimos. E, convenhamos, um cavalo sempre soará como um cavalo, seja aqui ou na França.

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Retrospectiva TBS – 2016

DOIS ANOS DE TRAÇA! \o/

Fonte: Huffington Post – Reprodução

Noooossa, esse foi um ano cheio de conquistas por aqui, contrariando a fórmula de terror que tem sido 2016 como um todo.

O TBS cresceu um bocado, praticamente dobrando o número de acessos e setuplicando (aprendi uma palavra nova) as curtidas na fanpage. Participei de projetos, organizei antologia, bati o recorde de livros lidos, fui convidada pra eleger os melhores livros do ano e ainda apareci no perfil da Leya no Facebook. Phew. :D

Acho que isso tudo merece uma comemoração, não?

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada: muito barulho por nada

O texto a seguir pode conter spoilers de: Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Depois não diga que eu não te avisei…

Fonte: Imagens da peça – Reprodução

Fui uma criança da geração Harry Potter. Tinha 11 anos quando o livro foi publicado no Brasil, acompanhei toda a saga, a chegada dos filmes, os spin-offs, as fanfictions e a criação do Pottermore. Consumi todo e qualquer produto lançado com o nome da franquia. Recentemente, fiquei com o coração quentinho por assistir Animais Fantásticos no cinema.

Logo, eu devia ter entrado no hype de Harry Potter e a Criança Amaldiçoada.

Mas não foi isso que aconteceu. Quando foi anunciada a criação de uma peça (e toda a polêmica acerca de uma Hermione negra), até olhei o projeto com bons olhos, mas não o suficiente para desejar ganhar um ingresso. Era algo legal, mais um evento baseado no universo JK Rowling…mas era só. Tinha figurinos incríveis, eu sei, e um elenco super simpático. Mas não era uma história canônica que completava a saga.

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